24 de maio de 2026

Santa Rita de Cássia: vida, milagres e sua devoção inabalável

Infância e juventude em Rocca Porena

Santa Rita de Cássia nasceu em Rocca Porena, território de Cássia, no ano de 1381, sendo seus pais Antônio Mancini e Amata Ferri. Ambos já eram bastante idosos quando a santa veio ao mundo, atribuindo-se um caráter prodigioso a esse fato, que encheu de alegria e felicidade o lar dos velhos Mancini. E como Cássia fica encravada na Úmbria, Santa Rita é conterrânea de São Bento, de São Francisco de Assis, de Santa Clara e de inúmeros outros santos, pois só no dia 9 de maio o Martirológio Romano menciona a paixão de 1.525 mártires!

Créditos: Arquivo CN.

Rita foi batizada na pia da Igreja de Santa Maria de Cássia com o nome de Margarida (Margherita, em italiano), sendo toda a vida chamada pelo diminutivo de Rita, com o qual se tornou conhecida para sempre. Contava cinco dias de nascida quando lhe pousaram nos lábios, como se fosse uma colmeia, abelhas alvíssimas sem ferrão, como a preludiarem a grande virtude da doçura, que seria modelo insigne. Em 1396, já era mocinha de dezesseis anos quando seu amor pelo recolhimento e pela prece a levaram a formar uma espécie de cela na casa paterna, onde, após a labuta doméstica, ficava sozinha diante de Deus.

O matrimônio e as provas da vida conjugal

Tinha apenas dezoito anos quando seus velhos pais, orientados pelo seu confessor, lhe propuseram para marido o jovem Paulo Fernando, natural também de Rocca Porena. Rita, apesar de sentir-se chamada para a vida religiosa, viu na vontade paterna um reflexo dos desígnios de Deus e, assim, contraiu o matrimônio, na constância do qual deu à luz dois filhos: João Tiago e Paulo Maria. A vida conjugal lhe transcorreu cheia de tormentos devido ao temperamento impulsivo do marido. E, quando os seus sofrimentos de esposa terminaram pela morte trágica e inesperada de Fernando, ela o chorou com saudade tão cristã como cristã tinha sido a paciência com que lhe suportava os arrebatamentos do gênio.


O sacrifício materno e a entrada milagrosa no claustro

O ano de 1415, assinala a morte de seus dois filhos, cuja circunstância especial já demonstrou bastante o extraordinário valimento de Rita junto ao trono do Altíssimo. Esses rapazes, verificando o assassinato do pai, formularam logo o propósito de vingá-lo, consoante os costumes rudes da época. Mas Santa Rita preferiu vê-los mortos a vê-los com as mãos manchadas de sangue humano; e tanto rezou nesta intenção que, em menos de um ano da morte do pai, eles expiravam santamente, arrependidos de seus intentos nefastos.

Vendo-se viúva e sem filhos, Rita achou chegada a ocasião de acudir ao primeiro chamado ouvido na infância. Quis fazer-se religiosa, mas a superiora do mosteiro agostiniano de Santa Maria Madalena, em Cássia, não a quis aceitar. “Já dera tudo ao mundo, e só agora resolvera dar os restos a Deus!”… Já tinha sido repelida três vezes quando João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau Tolentino, seus protetores, a introduziram milagrosamente no claustro. Em 1417, na vigília de sua profissão religiosa, teve uma visão semelhante à da escada de Jacó.

No ano seguinte, ocorreu-lhe outro milagre estupendo. Ordenando-lhe a superiora, em nome da obediência, que regasse todos os dias um sarmento seco de vinha, mal transcorreu um ano e daquele ramo morto já brotavam cachos de uvas abundantes e saborosas. E a videira, apesar de velha de cinco séculos, ainda hoje está viçosa.

Rita foi sempre devota da sagrada paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por isso sonhava em ter um sinal sensível dos sofrimentos do Senhor. Um dia, tendo ela já 24 anos de vida religiosa, depois de ouvir um sermão, estava a meditar diante de uma imagem do Crucificado, venerada num pequeno oratório do mosteiro, quando da coroa do Crucificado se desprendeu um espinho, o qual, rápido como uma flecha, foi cravar-se na testa de Rita. Essa ferida do espinho acompanhou-a até a morte e fez com que sofresse horrivelmente.

Ocorrendo em 1450 um ano jubilar, Rita, à semelhança de outras religiosas, desejou lucrar a grande graça da indulgência plenária. Mas como poderia dirigir-se a Roma se ninguém podia suportar o mau cheiro da chaga do espinho?

Novo e extraordinário milagre! A ferida, que nunca cedera a remédios, sarou de repente de modo a lhe permitir a peregrinação, abrindo-se outra vez após a sua volta da Cidade Eterna.

Em 1456, estava enferma quando, visitada por uma parente, lhe pediu uma rosa e alguns figos. Aparentemente, o pedido era um absurdo, porque estavam em pleno inverno. Replicando Rita à objeção da parente, mandou que fosse ao seu jardinzinho de Rocca Porena, onde, apesar do gelo e da neve, tudo havia de encontrar. E assim aconteceu.

Aos 22 de maio de 1456, Rita exalou a sua bela alma, na idade de 76 anos. O seu trânsito ditoso foi anunciado milagrosamente pelo sino do mosteiro, cujos toques e repiques eram tirados por mãos invisíveis e angélicas.

Santa Rita foi canonizada pelo afeto e devoção dos fiéis muito antes que a Igreja lhe concedesse a honra dos altares.

Urbano VIII a beatificou em 1627, e, em 1900, Leão XIII fez sua solene canonização. Mas já em 1577, erguia-se, em Cássia, uma igreja a “Santa das Causas Desesperadas e Impossíveis”. E o Brasil não foi das últimas nações em cultuá-la, porque a atual matriz de Santa Rita, da arquidiocese do Rio de Janeiro, data da era remota de 1724.

Equipe de Colunistas do Formação


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/santa-rita-vida-milagres-devocao-inabalavel/

13 de maio de 2026

20 Anos de Evangelização Digital: O Jubileu do Blog sob o Olhar de Fátima

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No dia 13 de maio de 2026, a Igreja Católica celebra com fervor a Festa de Nossa Senhora de Fátima, recordando as aparições da Virgem Maria na Cova da Iria. Para nós, esta data reveste-se de uma alegria jubilar: celebramos os 20 anos de fundação deste blog. Duas décadas dedicadas a levar a luz do Evangelho ao continente digital, sob a proteção materna daquela que é a Estrela da Evangelização [1] [2].


Duas Décadas de Missão e Gratidão

Chegar aos 20 anos é um marco que nos convida à retrospectiva e à gratidão. O blog nasceu em 2006 com o propósito de ser um espaço de formação, espiritualidade e defesa da fé católica. Ao longo destes anos, buscamos ser fiéis ao Magistério da Igreja, oferecendo um conteúdo que ajude o fiel a aprofundar sua relação com Deus e a compreender a beleza da doutrina cristã [2].
A mensagem de Fátima, com seu apelo à oração, penitência e conversão, tem sido o norte espiritual desta missão. Como afirmou o Papa Francisco em Fátima, Maria nos convida a ser "sinais da misericórdia de Deus" no mundo [3]. Nestas duas décadas, este blog procurou ser esse sinal no ambiente digital, combatendo a indiferença com a verdade e o ruído com a oração.


O Blog em Números: Frutos de uma Caminhada

Ao celebrarmos este jubileu, os números revelam a amplitude desta missão e o alcance da Palavra de Deus através deste canal. As estatísticas acumuladas ao longo de todo o período de existência do blog são um testemunho da sede de Deus que habita no coração humano:
Categoria
Dados Estatísticos
Visualizações Totais
958.714
Total de Postagens
2.617
Seguidores
60
Comentários
71
Estes dados representam muito mais do que simples métricas; são quase um milhão de vezes que uma alma buscou consolo, formação ou oração nestas páginas. Cada uma das 2.617 postagens foi escrita com o desejo de ser um instrumento da graça divina [5].


Destaques de Engajamento

Algumas postagens tocaram de forma especial o coração dos nossos leitores, alcançando milhares de pessoas e gerando reflexões profundas sobre a vida cristã:
"Você é bom!": 3,77 mil visualizações
"Testemunho - Chamado a Servir": 3 mil visualizações
"Bateu aquela tristeza?": 2,82 mil visualizações
"Sem motivação, o catequista é nada!": 2,04 mil visualizações
"Ato sexual: por que o coito interrompido é pecado?": 2,01 mil visualizações
Estes temas, que variam da motivação espiritual à moral católica, demonstram a importância de um blog que aborda a vida cristã em sua totalidade, sem medo de enfrentar as questões mais complexas da nossa fé [5].


Fátima e a Missão para o Futuro

A celebração dos 20 anos sob o manto de Nossa Senhora de Fátima nos impulsiona a olhar para o futuro com esperança. A mensagem da Virgem aos pastorinhos — Lúcia, Francisco e Jacinta — continua atual: "Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus" [1].
Este blog continuará a ser esse refúgio digital, um lugar de encontro com a Verdade. Em um mundo cada vez mais conectado, mas paradoxalmente mais solitário, nossa missão é fortalecer os laços de comunhão através da sã doutrina e da espiritualidade católica. Que os próximos anos sejam marcados por uma entrega ainda maior à vontade de Deus, seguindo o exemplo de Maria, que soube dizer o seu "Sim" com total generosidade [1] [4].


Conclusão

Agradecemos a Deus por estes 20 anos de história. Agradecemos a cada leitor, colaborador e intercessor que fez parte desta jornada. Que Nossa Senhora de Fátima, cuja festa hoje celebramos, interceda por todos nós e nos ajude a ser fiéis discípulos-missionários de seu Filho, Jesus Cristo. Que este blog continue a ser uma pequena luz a brilhar na imensidão da internet, guiando as almas para o porto seguro da salvação.


Referências

[1]: "Congregação para a Doutrina da Fé - A Mensagem de Fátima:"
[2]: "CNBB - Nossa Senhora de Fátima: A Mãe que nos chama à conversão e à paz:"
[3]: "Vatican News - Fátima 2017. Papa: “Com Maria, ser sinal da misericórdia de Deus”:"
[4]: "Canção Nova - A mensagem deixada por Nossa Senhora de Fátima à humanidade:"
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11 de maio de 2026

Frutos do Espírito: fidelidade e longanimidade

Fidelidade e longanimidade: o Espírito Santo em auxílio a nossa fraqueza

A vida cristã é vida no Espírito Santo. Sem Ele não há Igreja, sacramentos, graça ou santidade. Sem Ele não há verdadeira oração. O Espírito Santo é o Mestre interior que não apenas nos ensina a rezar, mas reza em nós. Ele vem em auxílio à nossa fraqueza: “O Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8,26).

No artigo de hoje, meditaremos sobre dois frutos do Espírito Santo que respondem diretamente às fragilidades humanas da infidelidade e do egoísmo: a fidelidade e a longanimidade.

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Fidelidade

A fidelidade é uma atitude de lealdade, constância e amor a Deus, fundamentada na confiança inabalável em Suas promessas, mesmo em meio às dificuldades. Ela é, antes de tudo, uma resposta de amor à fidelidade perfeita e incondicional de Deus para com o ser humano.

Aspectos centrais da fidelidade cristã:

1 – Obediência da fé

  • A fidelidade é expressão da “obediência da fé” (Rm 1,5), ou seja, não se limita a crer intelectualmente em Deus, mas implica aderir à Sua vontade, acolhendo os ensinamentos da Igreja, da Sagrada Tradição e do Magistério.

2 – Fidelidade a Deus e à Igreja

  • Ser fiel é permanecer unido a Jesus Cristo e à Sua Igreja una, santa, católica e apostólica, perseverando na oração, na vida sacramental e na comunhão eclesial.

3 – Identidade dos fiéis

  • Não por acaso, os discípulos de Cristo foram historicamente chamados de “fiéis”, pois sua identidade está profundamente ligada à perseverança na aliança com Deus.

4 – Relação de aliança

  • A fidelidade humana nasce da fidelidade divina. Deus permanece fiel mesmo quando o homem vacila, oferecendo continuamente Sua graça para restaurar a comunhão.

5 – Testemunho cotidiano

  • A fidelidade se concretiza na perseverança da oração, na coerência moral, no cumprimento dos deveres de estado — seja na família, no trabalho ou na vocação religiosa.

    Segundo a Tradição da Igreja, a fidelidade é resposta ao amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. É ela que sustenta a fé ao longo das vicissitudes da história e une a vida espiritual à realidade cotidiana.

Longanimidade

Contra o egoísmo que coloca o homem e suas necessidades no centro de tudo, deslocando Deus do primeiro lugar, o Espírito Santo nos concede a longanimidade.

A longanimidade é o fruto do Espírito que expressa a capacidade de conservar a esperança, a calma e a constância no bem diante de sofrimentos, provações ou adversidades prolongadas.

Vinda do latim longa anima (“ânimo longo” ou “alma grande”), ela designa um coração paciente e resistente, capaz de suportar o peso do tempo sem sucumbir ao desânimo, à revolta ou à ira.

Longanimidade e paciência: qual a diferença?

Embora relacionadas, não são idênticas.

A paciência refere-se à capacidade de suportar contratempos e sofrimentos presentes. Já a longanimidade é uma perseverança prolongada: é a paciência estendida no tempo, a firmeza espiritual de continuar esperando e fazendo o bem quando a provação parece não ter fim.

A longanimidade na Palavra de Deus

A própria Sagrada Escritura apresenta essa característica como atributo divino:

“Senhor, Senhor, Deus misericordioso e clemente, lento para a ira e rico em bondade e fidelidade” (Ex 34,6).

E ainda:

“Misericordioso e piedoso é o Senhor, longânimo e grande em benignidade” (Sl 103/104,8).

Na prática, a longanimidade nos ajuda a:

  • suportar ofensas e provocações sem desejar vingança;
  • perseverar na oração, mesmo quando a resposta parece tardar;
  • manter a esperança e a fé diante de provações prolongadas.

Um exemplo luminoso é Santa Mônica, que perseverou durante anos em oração pela conversão de seu filho, Santo Agostinho. Sua constância não foi em vão. A alma dotada de longanimidade não desiste, porque sabe em quem depositou sua confiança.

O Espírito Santo vem em auxílio à nossa fraqueza. Ele corrige nossos defeitos, fortalece-nos contra o pecado e nos conduz à comunhão com o Pai e o Filho.

Pela fidelidade, permanecemos firmes em Deus. Pela longanimidade, perseveramos no bem até o fim.

Assim, conduzidos pelo Espírito, crescemos na santidade já nesta terra e experimentamos, ainda que de modo inicial, as alegrias do Céu.

Deus Abençoe!

Leonardo Vieira
Natural de Itaporanga/PB. Missionário da Comunidade Canção Nova desde 2017 no modo de compromisso do Núcleo.
Instagram:@leocancaonova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/frutos-do-espirito-fidelidade-e-longanimidade/

5 de maio de 2026

O sentido do sofrimento: as dificuldades diárias exigem maturidade

Hoje, eu me deparo com uma verdade exigente: o sofrimento de cada dia precisa ser vivido com maturidade

Compreendo que o sofrimento inevitável não é um fim em si mesmo, mas um chamado e, portanto, uma resposta pessoal. Sabemos, segundo as Escrituras, que, com o pecado original, toda a humanidade passou a experimentar a inclinação ao pecado, gerando desordem, tristeza e angústia. E por nós mesmos, não conseguimos sair dessa condição.

Crédito: Bastian Weltjen / GettyImages

Se há, por um lado, uma distância infinita entre nós e Deus; por outro, é o próprio Deus quem toma a iniciativa de nos salvar. Na Bíblia Sagrada, contemplamos esse mistério: Deus se fez homem em Jesus Cristo, assumiu nossos pecados e, na cruz, tomou sobre si o castigo que nos cabia. Ele carregou nossas dores para nos reconciliar com o Pai.

Recentemente, conversei com um peregrino que visitava a Canção Nova. Em meio ao desabafo de suas dores, ele afirmou, com certa resignação, que nada podia fazer, pois acreditava que Deus queria que ele sofresse daquela forma. Diante disso, procurei acolhê-lo com empatia e, ao mesmo tempo, ajudá-lo a enxergar além daquela visão. Deus jamais deseja o mal para Seus filhos.

Por um mistério insondável de Sua misericórdia, Ele é capaz de transformar o mal em um bem maior

Na bela passagem de 2 Coríntios 4, 17-18, Paulo cita: “Com efeito, o momentâneo, leve peso de nossa aflição, produz para nós uma glória incomensurável e eterna. Não temos como objetivo o que é visível, mas o que é invisível, pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno”.

A partir da própria história daquele peregrino, fui apontando sinais concretos da presença de Deus em sua vida, mesmo em meio às dificuldades. Ao final, seu olhar já não era o mesmo: havia ali uma centelha de esperança e gratidão. Saí daquele encontro profundamente tocada e rendi louvores a Deus por sua ação eficaz.

Lembrei-me de São Francisco de Sales que afirmava: “Já que a doença nos faz gemer e suspirar, suspiremos por Deus” (1)

Caro leitor, a vida não é feita apenas de sofrimentos. Fomos criados por amor, e isso significa que a nossa vida nunca encontra sentido apenas em nós mesmos. Estamos sempre direcionados para um sentido, ou seja, um propósito, uma missão, algo que vale a pena fazer, um encontro verdadeiro com o outro e principalmente com o sair de si.

Sair de si e ir ao encontro de alguém, e esse alguém pode ser Jesus

Ele sempre está de braços abertos a nos acolher. “ Trata-se de amar para viver na liberdade e na caridade, colocando toda confiança com verdadeira fé e intenso amor ao Seu Criador e Senhor.” (1.1)

Padre Jonas, em Nossos Documentos internos da Canção Nova, dizia que “viver da fé é um passo no escuro, é não saber o dia de amanhã. É não saber o futuro dos nossos filhos. É um passo dado no escuro, mas não um passo cego. É um passo dado na certeza do “sei em quem pus a minha confiança (2 ™ 1,12).” (2)

Somos chamados a dar uma resposta, e a vida nos interpela diariamente: o que faremos com aquilo que nos acontece? Não podemos escolher todas as circunstâncias, mas podemos escolher a atitude com que as enfrentamos.

E nesse itinerário existe em nós uma força, a Graça de Deus, que nos puxa para “mais”.

Afinal, o sentido da vida não está em “me sentir bem o tempo todo”, mas em me doar a algo maior do que eu.

Como afirma Viktor Frankl: “O que importa é a atitude adequada diante do sofrimento inevitável. O modo como o suportamos pode encerrar um sentido.” (3) Assim, mesmo nas dores, podemos encontrar um caminho de crescimento, fé e esperança, certos de que Deus caminha conosco e jamais nos abandona.

Eis um convite concreto e inadiável: não desperdiçar o sofrimento, mas integrá-lo à própria história num caminho de maturidade e encontro com Deus.

Que, nas horas difíceis, não nos fechemos em nós mesmos nem cedamos à tentação do desânimo, mas elevemos o olhar ao Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Em Cristo, nenhuma dor é estéril, nenhuma lágrima cai sem regar a terra do nosso coração.

E que, a cada dia, possamos dizer com serenidade e esperança: Senhor, eu confio em Vós! Viva Jesus!

Micheline da Silva Gomes Teixeira – Membro da Comunidade Canção Nova, desde 1998, no modo de compromisso do Núcleo.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/o-sentido-sofrimento-dificuldades-diarias-exigem-maturidade/

4 de maio de 2026

Frutos do Espírito: amabilidade e bondade

Amabilidade e bondade são frutos do Espírito Santo para transformar vidas

“Mas o fruto do Espírito é amabilidade e bondade” (cf. Gálatas 5,22).

Diferente de uma amabilidade meramente humana — muitas vezes usada como aparência, máscara ou estratégia para obter vantagens pessoais —, a amabilidade como fruto do Espírito Santo transforma o coração ferido pela concupiscência do pecado original, frequentemente marcada pelo egoísmo.

No seguimento de Cristo, podemos cair na tentação de evangelizar para sermos vistos, reconhecidos ou admirados. Em nosso trabalho, em casa, na paróquia ou nos grupos de oração, podemos até vestir uma aparência de bondade, enquanto, no interior, ainda carregamos orgulho, vaidade e desejo de reconhecimento. Às vezes, pensamos que, por servirmos mais, temos mais direitos do que aqueles que ainda estão começando sua caminhada.

Créditos: jcomp by magnific

A humildade diante do chamado de Deus

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo nos recorda isso na parábola dos trabalhadores da vinha, quando o mesmo salário é dado tanto aos que chegaram primeiro quanto aos da última hora.

Muitas vezes, desejamos privilégios por nos considerarmos “bons” ou “santos”, esquecendo-nos de que a verdadeira santidade não está em comparação com os outros, mas em viver a vontade de Deus com humildade. Diante dessa realidade, o Espírito Santo é derramado em nossos corações e manifesta em nós o fruto da amabilidade, remédio divino para nossa natureza ferida.

Amabilidade: força espiritual e gentileza

A amabilidade possui a força de quebrar o coração soberbo e orgulhoso, incapaz de amar e respeitar verdadeiramente o próximo. Ela se manifesta por meio da gentileza, da compaixão e do amor concreto.

Não se trata apenas de boa educação ou temperamento agradável, mas da graça divina agindo em nós, tornando-nos capazes de servir sem esperar recompensas, refletindo o próprio caráter de Cristo. O fruto da amabilidade não é fraqueza, mas força espiritual. É Cristo sendo formado em nós, produzindo suavidade, consideração sincera e transformação em nossos relacionamentos e atitudes diárias.

Permitir que esse fruto se desenvolva em nossa vida é deixar que a graça de Deus realize em nós uma obra profunda de amor, trocando nosso coração de pedra por um coração de carne, capaz de amar sem esperar nada em troca. Assim, com o auxílio divino, poderemos viver autenticamente a misericórdia: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).


A bondade como qualidade ativa

Já a bondade é uma qualidade ativa, não passiva. Ela envolve generosidade, integridade e a prática concreta do bem, sempre impulsionada pela graça de Deus.

Agathosyne: a presença ativa do Bem

A palavra grega agathosyne refere-se a uma bondade de coração que se traduz em ações. É a presença ativa do bem — não apenas a ausência do mal. Não significa simplesmente ser “bonzinho”, mas tomar a iniciativa de fazer o bem, ajudar os necessitados, agir com amor e compaixão.

Benignidade x Bondade

Enquanto a benignidade (chrestotes) está mais ligada à ternura e à suavidade interior, a bondade (agathosyne) é sua expressão prática e externa. Em certos momentos, ela também exige firmeza para corrigir o erro. A bondade é o oposto das obras egoístas da carne e nasce de um relacionamento íntimo com Deus.

Vencendo o mal com o bem

Ser bom é viver o Evangelho com coerência, permitindo que Deus corrija em nós o que precisa ser transformado e, quando necessário, usando-nos também como instrumentos de correção fraterna.

A bondade que vem de Deus resiste ao mal. O mal pode até tentar ferir e confundir, mas a última palavra pertence ao Senhor. Aquele que vive o fruto da bondade reconhece o combate espiritual, intensifica sua vida de oração e aprende a vencer o mal com o bem. Esse fruto gera em nossa alma uma rejeição pelas obras das trevas. Passamos a ter mais compaixão, trocamos a murmuração pelo louvor, escolhemos a caridade em vez da indiferença e substituímos o egoísmo pelo amor.

A bondade de Deus manifestada em nós nos conduz à experiência profunda do Seu amor: porque fomos amados, aprendemos a amar; porque fomos perdoados, aprendemos a perdoar. Assim, nossa vida se torna testemunho vivo da ação do Espírito Santo no mundo.

Deus abençoe!

Leonardo Vieira
Natural de Itaporanga/PB. Missionário da Comunidade Canção Nova desde 2017 no modo de compromisso do Núcleo.
Instagram:@leocancaonova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/frutos-do-espirito-amabilidade-e-bondade/

2 de maio de 2026

O perfil materno de Nossa Senhora nas Escrituras

A presença de Maria no mistério da salvação

As referências dos Evangelhos e do Atos dos Apóstolos a Maria, Mãe de Jesus, apesar de poucas, deixam ver muito desta privilegiada criatura, escolhida para tão alta missão. São Paulo, na Carta aos Gálatas (4,4), dá a entender claramente que, no pensamento divino de nos enviar o Seu Filho, quando os tempos estivessem maduros, uma Mulher era predestinada a no-Lo dar.

Foto ilustrativa: Arquivo CN

Para que se compreenda a presença da Virgem Maria nesta predestinação divina, a Igreja, na festa de 8 de dezembro, aplica a Mãe de Deus aquilo que o livro dos Provérbios (8, 22) diz da sabedoria eterna: “Os abismos não existiam e eu já tinha sido concebida. Nem fontes das águas haviam brotado nem as montanhas se tinham solidificado e eu já fora gerada. Quando se firmavam os céus e se traçava a abóboda por sobre os abismos, lá eu estava junto dele e era seu encanto todos os dias”. Era, pois, a predestinada nos planos divinos.


Para se perceber melhor o perfil materno de Nossa Senhora, três passagens bíblicas podem esclarecer isso. A primeira é a das Bodas de Caná, que realça a intercessora. Quando percebeu – o olhar feminino que tudo vê e tudo observa – estar faltando vinho, sussurra no ouvido do Filho sua preocupação e obtém, quase sem pedir, apenas sugerindo, o milagre da transformação da água em generoso vinho. Ela é, de fato, a mãe que se interessa pelos filhos de Deus que são seus filhos.

A presença da Mãe na história da redenção

Outra passagem do Evangelho esclarecedora da personalidade de Maria é a que nos mostra seu silêncio e sua humildade. O anjo a encontra na quietude de sua casa, rezando, para dizer-lhe que fora escolhida por Deus para dar ao mundo o Emanuel, o Salvador. Ela se assusta com a mensagem celeste, porque, na sua humildade, nunca poderia ter pensado em ser escolhida do Altíssimo. Acolhe assim, por vontade divina, a palavra do mensageiro, silenciosamente, sem dizer, nem sequer ao noivo, José, o que nela se realizava. Deus tem o direito de escolher e por isso ela diz apenas o generoso “sim” que a tornou Mãe de Deus.

O terceiro traço de Maria-Mãe é sua corajosa atitude diante do sofrimento. Ao apresentar o seu Jesus no templo, ouve a assustadora profecia do velho Simeão: “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. Pouco mais tarde, estreitando ao peito o Menino Jesus, deve fugir para o Egito com o esposo, para que a crueldade de Herodes não atingisse a Criança que – pensava ele, Herodes – lhe poderia roubar o trono.

Mãe forte e corajosa que sofre as dores de seus filhos

Quando seu Filho tem doze anos, desencontra-se dele e, ao achá-Lo após três dias, queixa-se amorosamente: “Por que fizeste isto? Eu e teu pai te procurávamos, aflitos”. Sua coragem se confirma na Paixão e Crucifixão de Jesus. De pé, ali no Calvário, sofre e associa-se ao sacrifício do Redentor. É a mulher forte, a mãe corajosa e firme, a quem a dor não derruba. De fato, a espada de Simeão lhe atravessara a alma e o coração. É a Senhora das Dores.

Maio, mês dedicado a Nossa Senhora, pela piedade cristã, é um convite para voltarmos nosso olhar a esta Mãe querida para pedir-lhe que abra as mãos maternas em bênção de carinho sobre nossos passos nesta difícil escalada da Jerusalém celeste.

 Equipe Formação Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/o-perfil-materno-de-nossa-senhora-nas-escrituras/

30 de abril de 2026

O toque de fé que transforma a vida e cura a alma

É preciso tocar o Senhor

A cena parece cômica. Imagine só. Jesus acaba de atravessar o mar e uma numerosa multidão o cerca. De repente, sente-se tocado e pergunta:

– Quem foi que me tocou?

Os apóstolos começam a rir. Afinal de contas, milhares de pessoas o cercam e muitos têm esbarrado em Jesus. Pedro, como sempre, toma a palavra e diz:

–   Mestre, a multidão te comprime, te aperta e te esmaga e tu perguntas quem foi que esbarrou…

–  Jesus insiste:

– Eu não estou perguntando quem foi que esbarrou, e sim quem foi que tocou em mim?

Uma mulher, que há 12 anos sofria de hemorragia, tremendo de medo e se sentindo curada, se apresenta:

– Fui eu, Senhor.

– Minha filha, tua fé te curou, vá em paz!

Essa experiência (cf. Lc 8,43-48) foi vivida também por muitos outros doentes que tocaram ou foram tocados pelo Senhor (cf. Mt 14,36; Mc 6,56; Lc 6,19). Todos percebiam que de Jesus saía uma força.

Foto Ilustrativa: PeteWill by Getty Images

Também hoje é preciso “tocar” o Senhor

Esse toque não significa simplesmente aproximar-se fisicamente dele, o que hoje seria impossível, mas pode ser um “toque” na . Lembremos da experiência de Tomé: “Se eu não tocar em suas mãos chagadas e em seu coração transpassado, eu não acreditarei” (Jo 20,24-29).

O próprio Cristo afirma a Tomé que mais felizes serão aquele que nele acreditarão sem ter visto, isto é, aqueles que o experimentarão pela fé. Existem hoje, no mundo, muitos cristãos que são como a maioria dos que comprimiam Jesus. Esbarram no Senhor, mas não chegam a tocar seu coração.


Também hoje é preciso e possível tocar Jesus. É necessário fazer uma experiência pessoal com Ele em nossa vida e permitir que Ele viva em nós (Gl 2,19b-20).

Ele veio para nos sarar, para nos curar, nos salvar, e isso é possível somente para aqueles que o encontram. Tocá-lo é encontrar-se com Ele. Esse encontro é, muitas vezes, um salto na escuridão. É o caso de Maria, que acreditou e, por isso, se encontrou com Deus. Outras vezes, é fruto de um chamado todo especial, como aconteceu com Paulo e Pedro.

Por vezes, o encontro se dá num momento decisivo e até mesmo angustiante de nossa vida, como aconteceu com aquela pecadora à beira do apedrejamento (Jo 8) ou como a samaritana adúltera (Jo 4).

Às vezes, esse encontro se dá na calada da noite, como ocorreu com Nicodemos (Jo 3), ou ao amanhecer de um novo dia, como aconteceu com Madalena (Jo 20,11-18). Outras vezes, é um encontro inesperado, como o de Zaqueu (Lc 19,1-10) ou o de Levi (Mt 9,9).

Não importa o momento nem a hora ou as condições. O que realmente importa é que o encontremos e o toquemos.

Todos aqueles que O tocaram tiveram suas vidas transformadas. Após cada encontro, sempre ocorreu uma cura, quer seja física (Lc 8,43-48; Jo 5,1-9; 9,1-7) ou psíquica e interior (Lc 19,1-10; Jo 4).

Todos aqueles que se encontraram com o Senhor, que O tocaram ou deixaram que Ele os tocasse, mudaram os rumos de suas vidas. Todo encontro com o Senhor sempre leva o homem a repensar a sua vida e suas atitudes.

Muitos não se encontraram ainda com o Senhor. A exemplo da multidão que o cercava, muitos somente esbarram n’Ele. O Novo Testamento é repleto de passagens que nos mostram também aqueles que não O quiseram tocar: o moço rico (Mt 19,16-22), os sumos sacerdotes (Mt 26,57-66), Pilatos (Mt 27,11-26), Herodes (Lc 23,8-12) e tantos outros que esbarraram nele, mas não permitiram o toque salvífico.

Não importa a hora desse encontro. Pedro, por exemplo, o encontrou num momento de grande queda (Lc 22,54-62). O importante é permitir o toque do Senhor, percebendo e acolhendo o seu olhar amoroso.

Precisamos, hoje, tocar o Senhor. Como? De que maneira? É este o objetivo de nossa reflexão.

O que importa é tocar o Senhor, nem que seja no momento final de nossa vida (Lc 23,39-43). É preciso encontrá-Lo, porque só assim encontraremos a nós mesmos e teremos condições de encontrar nossos irmãos.

 

 

Texto extraído do livro Tocar o Senhor, autoria de Padre Léo, SCJ.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/o-toque-de-fe-que-transforma-a-vida/