29 de julho de 2016

Dicas para compreender filhos adolescentes

Os filhos crescem e o pais precisam compreender como lidar com eles nesta nova fase

Como os pais querem que os filhos cresçam! Eles acreditam que vão poder ter mais tempo para si. Adeus fraldas, mamadeiras, brinquedos pela casa e tranqueiras. Doce ilusão! Quando chega a adolescência, sentem falta dos tempos em que os filhos eram crianças, porque, com os adolescentes, as relações são mais complicadas, o controle é mais difícil de ser exercido e as preocupações aumentam quando eles estão fora de casa.

É comum, nesta fase, os filhos se ligarem mais aos amigos e se afastarem dos pais, mas alguns querem lutar contra isso. Neste momento, a importância é não perder o vínculo e a confiança neles. Os limites são importantes, mas precisam ser negociados numa conversa franca e com paciência, para explicar os porquês e as regras.

Dicas para compreender filhos adolescentesFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Vencendo as dificuldades

A grande dificuldade dos pais é ver os filhos cometendo os erros que eles já vivenciaram. Algumas vezes, conseguem evitar alguns erros, porque os filhos assimilam a experiência dos pais. Entretanto, em outras circunstâncias, é preciso deixá-los "quebrar a cara" para aprenderem, pois faz parte do processo de crescimento. Muitas vezes, é importante criar momentos para certas conversas, talvez num restaurante, numa caminhada ou em momentos de lazer. Se possível, evite conversar nos momentos de mau humor tanto dos pais quanto dos adolescentes. Concordam que fica mais difícil um acordo?

Nesse período de crescimento, existe uma forte luta de poder: os pais querendo saber tudo da vida dos filhos, e estes, por seu lado, querendo autonomia para viver. O segredo é haver respeito mútuo e manter aberto o canal do diálogo. Cobranças precisam acontecer a partir das regras estabelecidas, sendo que algumas precisam ser bem trabalhadas, pois, entre outras questões, muitos não sabem o impacto da falta de estudo na sua vida, ou do uso indevido de bebida ou relacionamento com amigos inadequados.

Entretanto, acima das regras, a forma de cobrar faz toda a diferença. Cuidado com os exageros na cobrança! O afeto é a liga para que as relações não se deteriorem pela pressão. O excesso de críticas por questões que não são relevantes, ilegais ou imorais, precisam ser repensadas. A flexibilidade, quando os comportamentos são positivos, ajudam a fortalecer o aprendizado de tomada de decisão nas situações da vida.


Diferença entre acompanhar e vigiar

Muitos pais têm dúvidas sobre o tamanho da liberdade a ser dada aos adolescentes. O segredo é afrouxar a corda, mas checar o que está acontecendo. Por exemplo: se o filho pedir para ir a uma festa, estabeleça as regras e as mantenha; depois, confira se ele realmente foi e com quem foi. Na volta, verifique o estado dele e se o combinado foi cumprido. Atenção: é importante entender a diferença entre acompanhar e vigiar, agir sempre às claras e não escondido, porque, se o adolescente percebe que os pais não confiam, começam a burlar as informações. Nessa fase, a cumplicidade entre pais e filhos faz toda a diferença, mas se lembre de que, antes de ser amigo, você é pai ou mãe.

Como as relações costumam ser mais estressantes, cuidado com o momento de crise, pois é quando são estabelecidos laços ou rompimentos, por causa do tipo e intensidade da reação dos pais. Teoricamente, os pais deveriam ser os mais amadurecidos. Diante de um grande problema, qual é a sua reação? O importante é o adolescente entender as consequências de seu ato e trabalhar para que ele não use a mentira como um artifício para se ver livre das consequências inerentes ao seu comportamento. Observe também se os problemas pessoais do casal ou a pressão do dia a dia influenciam suas reações diante da crise.

Uma atitude importante é não exaltar demais ou minimizar os comportamentos dos filhos, pois uma autoestima boa pode evitar que eles se coloquem em situação de risco para provar que são adultos e podem decidir sozinhos sobre a sua vida. Eles precisam aprender pelos exemplos dos pais e pelas escolhas direcionadas por professores, psicólogos e familiares.

A compreensão e a clareza de regras ajudam os pais-pilotos a navegarem melhor nessa fase; e se o ambiente familiar interno for bom, será mais fácil surfar as ondas de perigo da vida.



Ângela Abdo

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.

Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/familia/pais-e-filhos/dicas-para-compreender-filhos-adolescentes/

27 de julho de 2016

Casamento é muito mais que uma cerimônia bonita

O casamento é um sacramento que deve ser assumido de forma consciente, livre e aberto à fecundidade

Quem escuta ou lê essa frase pode imaginar que o casamento seja algo simples e trivial, facilmente resolvido com um check in na igreja antes dos vários passeios de lua de mel.

Antes do 'sim', porém, é preciso que os noivos se preparem bem para a mudança de vida. Estou falando da casa? Da comida? Da roupa lavada? Não, nada disso! No topo da lista está a preparação das emoções para a vida de casados. Um dos espaços eficazes para isso é o curso de noivos, quando o casal poderá sedimentar a reflexão conjunta sobre a vida a dois.

Casamento é mais que uma cerimônia bonitaFoto: Jason_Lee_Hughes, iStock.by Getty Images

 

Preparando para o casamento

Cada paróquia faz o curso de um jeito, conforme sua realidade. Eu trago aqui três pontos importantes para essa preparação.

Quando estava noiva, eu queria muito fazer o curso de noivos numa paróquia "superfamosinha" entre as noivas, por oferecer um curso bastante acolhedor, realizado na casa dos responsáveis e cheio de mimos. Mas, como o Senhor nos conduz para aquilo que de fato precisamos, não conseguimos nos inscrever e fizemos nosso curso numa paróquia bastante distante do centro, cuja igreja estava ainda inacabada, um ambiente bastante simples e sem qualquer pompa.

Em meio àquela simplicidade, Deus falou ao nosso coração de maneira completamente inusitada, do jeitinho que precisávamos ouvir .

Para você ter uma ideia, a primeira palestra foi conduzida por um frei bastante idoso, de origem estrangeira e sotaque carregado. O tema nos impactou bastante: como anular seu casamento. Ele afirmou que era fundamental saber quando um casamento é nulo, para não entrarmos "de gaiato", como se fosse fácil se separar. Explicou, ao mesmo tempo, que vários casamentos são apenas teatro, pois faltam premissas básicas para serem considerados válidos para a Igreja Católica.

Casamentos arranjados ou apenas para esconder uma gravidez em curso não necessariamente são válidos, por exemplo. Se não há a livre vontade de ambos para assumir essa vocação ou se esconderam um do outro informações importantes como uma enorme dívida, um casamento católico anterior ou a infertilidade de um dos noivos, não perca seu tempo, pois o casamento não será válido. O matrimônio é entrega total, livre e verdadeira; e estar disposto a assumir essa entrega faz bem para as emoções dos noivos.


Outro tema importante para o qual é preciso se preparar: método natural de planejamento familiar. Se você tem dificuldade de abordar este tema com o noivo, seja porque ele parece resistente à abstinência sexual nos dias férteis, seja por vergonha ou por pouco conhecimento da metodologia, é durante o noivado que esse jogo precisa ser combinado. Não basta só um dos noivos querer, é preciso que ambos estejam cientes não só das renúncias que isso traz, mas da maior cumplicidade, afeto e cuidado despertado com esse método.

No curso de noivos, em geral, apresenta-se a experiência de casais que utilizam esse método e comprovam a sua eficácia, convencendo até os mais céticos. Eu sei que você conhece algumas famílias com vários filhos, que dizem utilizar o método, mas com eles não deu certo. Na verdade, só funciona se houver preparação e utilização correta, e em caso de dúvida, basta procurar as equipes pastorais para acompanhamento dos casais.

Agora, há um outro tema bem interessante, que não foi tratado no nosso curso de noivos, mas uma amiga comentou certa vez: educação financeira do casal. Após uma palestra, cada casal planejava como ficariam as contas, quem pagaria o quê, como organizariam as despesas. Parece bobagem, mas muitos casamentos se desgastam devido ao desequilíbrio financeiro de um dos cônjuges, ou de ambos, que não percebem que não existirá mais o seu e o meu dinheiro, o seu e o meu boleto, mas a nossa dívida, os nossos bônus. E isso deve ser combinado ANTES do casamento. Imagina você ser acusada de que está gastando demais ou ver que seu noivo esbanja em pequenos luxos quando mal conseguem pagar as contas da casa?

A igreja tem como pré-requisito o curso de noivos exatamente para o casal tirar um tempo para si e focar no essencial em meio às diferentes listas e preparativos para a cerimônia. Se você não marcou o seu curso de noivos ainda, não deixe para a última hora. Se você já fez o seu, e esses temas não foram tratados, converse com seu companheiro de vida. Eu lhe garanto que esse papo vai render frutos.

Conversar sobre a validade do matrimônio, o planejamento familiar natural e o orçamento doméstico, além de preparar suas emoções para o casamento, vai evitar dores de cabeça no futuro.

O casamento é uma vocação importante demais, para a emoção se resumir na escolha dos convites em papel brilhante e os docinhos da festa.



Mariella Silva de Oliveira Costa

Mineira , esposa, católica, feliz e amante de uma boa prosa. Jornalista, professora universitária, cientista em formação e servidora pública, Mariella é graduada na Universidade Federal de Viçosa e especialista em jornalismo científico (Unicamp), mestre em ciências médicas (Unicamp) e doutoranda em saúde coletiva na Universidade de Brasília. Participa da Renovação Carismática Católica, desde 1998, onde serviu especialmente no Ministério Universidades Renovadas e no Ministério de Comunicação Social. Cofundadora do projeto Muitas Marias.com (www.muitasmarias.com)
Contato: mariellajornalista@gmail.com Twitter: @_mari_ella_
www.muitasmarias.com


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/relacionamento/namoro/casamento-e-muito-mais-que-uma-cerimonia-bonita/

25 de julho de 2016

Compreenda: a natureza da política é boa ou ruim?

A política faz parte da organização da sociedade, portanto, é preciso conhecer seu significado

"A fructibus eorum cognoscetis eos"
"Pelos frutos se conhece a árvore"

Quando falamos em política em nosso país, as pessoas imediatamente associam essa palavra a valores pejorativos, negativos, como corrupção, roubo, desonestidade. No imaginário popular, honestidade e política jamais dividiriam o mesmo espaço. Por que isso ocorre? Qual a origem dessa depreciação do ofício político?

Busquemos o significado etimológico da palavra política: derivada do grego politikos, "relativo ao cidadão ou ao Estado"1. Compreendemos, portanto, que a política se refere a toda nossa organização enquanto civilização, a partir do surgimento do Estado, ou seja, todas as derivações da existência do Estado, sejam elas boas ou ruins, são resultados de deliberações políticas. Sendo assim, as decisões políticas são originadas de situações positivas ou negativas.

Compreenda: A natureza da política é boa ou ruimCopyright: rmnunes

O que determina a ocorrência de uma situação e não de outra? Os indivíduos que tomam essas decisões. As decisões políticas são o reflexo do interior dos que as tomam. Não é a arma que é acusada de assassinato, mas a mão que a manejou. A natureza da árvore é identificada por seus frutos.

Qual o sentido real da política?

A política, nesse sentido, deve ser compreendida apenas como um instrumento que, segundo o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, deve ter a pessoa humana como seu fundamento e fim. Deve estar pautada, portanto, não no "eu" que exerce o mandato, mas no "nós" que o delegou tal encargo.

Nesse sentido, a política, na essência de sua existência, é profundamente boa e necessária, pois se estabelece como via pela qual se efetiva a "caridade social", como expressava o Papa Pio XI, rumo ao nascedouro da Civilização do Amor, prenunciada por Paulo VI, quando o Estado age em função do bem comum, em defesa da vida e da integridade dos que estão mais vulneráveis e desprotegidos.

As ações políticas deliberam sobre as questões materialmente existenciais do homem enquanto ser comunitário; nesse sentido, é importante frisar a atenção que todos devemos ter para com esse ambiente. Todos devemos, sim, buscar informação, esclarecimento, apropriarmo-nos das realidades sobre o que acontece politicamente em nosso país e no mundo. Isso, de forma alguma, tira a nossa atenção primeira do céu. Mas, como cristãos, o mundo espera de nós posturas centradas e de discernimento. Ainda que discordem de nós, é isso que esperam.

Lembro-me de uma vez em que estava em uma das escolas que trabalhava, à época na coordenação. Uma diretora chegou e, na liberdade que tínhamos, pediu-me que votasse em um candidato de sua indicação. Escutei-a com atenção. Ela debulhou as virtudes de tal candidato, seus feitos, e frisou que era um pedido pessoal. Ao fim, respondi: "Professora, gosto muito da senhora e a tenho em muito respeito, mas o meu voto é fruto de uma decisão de minha consciência". Ela protestou, esbravejou, e eu, de forma reiterada, afirmava que meu voto não estava à disposição. Após uma meia hora, ela me olhou profundamente, respirou e disse: "Estou feliz por ter você aqui em nossa escola. Um profissional que sabe o que quer. Não esperava outra coisa de você!".


Somos chamados à política

Sendo assim, acredito ser parte de nossa vocação de batizados ocuparmos, de forma cristã, todos os espaços da sociedade onde somos plantados por Deus para frutificar, dando testemunho do que essencialmente nos caracteriza: a nossa fé no Ressuscitado!

A política a que somos chamados a participar não é necessariamente partidária, muito embora se o for, o partido deve representar, em seu estatuto e diretrizes, os valores da sã doutrina. Não nos deixemos instrumentalizar por agendas partidárias a favor do aborto, da ideologia de gênero, do marxismo cultural e de tantas outras vertentes, que negam a essência do Evangelho de Cristo. Apresentam-se principalmente como arautos da justiça social, mas ao custo de nossas mais sagradas raízes da fé.

Nossa participação política, portanto, precisa ser consciente. Você recorda dos seus últimos votos para os cargos de prefeito e vereador? Quais projetos seus candidatos apresentaram? Eles representam seu voto?

Se você, como cristão católico batizado, é vocacionado a exercer um cargo eletivo, que o faça de forma santa e coerente. A presença do mal não pode afugentar os bons. Não tenha medo dos rótulos, dos preconceitos, pois a luz sempre vence as trevas. Contudo, seja forte, pois é um ambiente inóspito.

Concluo de forma imperativa: nossa bandeira é Cristo! Onde quer que estejamos, façamos o que fizermos, sejamos discípulos seguidores do Mestre.

"Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas". (Mt 10,16)

Christian Moreira de Souza
Membro da Comunidade Canção Nova – 2º Elo em Fortaleza (CE)
Historiador e Mestre em Ciências da Educação


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/atualidade/politica/compreenda-a-natureza-da-politica-e-boa-ou-ruim/

22 de julho de 2016

Volte a sonhar e reencontre a felicidade

Os sonhos estão intimamente ligados à vida, e não há como seguir em busca da felicidade sem os considerar

Felicidade é a grande meta de todo ser humano, e como encontrá-la é o desafio que nos une a milhões de pessoas espalhadas pelo mundo. Aliás, vale a pena lembrar que buscar a felicidade é condição para encontrá-la, pois se costuma encontrar o que se procura.

Volte a sonhar e reencontre a felicidade!
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Se você busca a felicidade, vai encontrar razões para ser feliz mesmo em meio às adversidades; porém, se não a busca, mesmo quando ela vier ao seu encontro não a reconhecerá. Conheço um provérbio popular que diz: "Para o barqueiro que não sabe aonde quer chegar, nenhum vento lhe é favorável". Ou seja, quem não sabe o que quer, dificilmente chega a alguma conquista, e até mesmo quando acontecem coisas boas, nada parece favorecê-lo. É claro que existem pedras no caminho e nem todos os ventos sopram a nosso favor, mas quando temos uma meta definida, algumas pedras nos servem de degraus e alguns ventos fazem nosso barco avançar mar adentro com maior velocidade. Então, se você deseja ser feliz, é preciso dar passos firmes em direção à felicidade, e um dos passos que considero essencial é reencontrar sua essência, depois fazer as pazes com os acontecimentos que marcam sua história e voltar a sonhar, porque os sonhos estão intimamente ligados à vida, e não há como seguir em busca da felicidade sem os considerar.


Não deixe de sonhar

Talvez você tenha deixado de sonhar por inúmeras razões, entre elas a decepção por não ter alcançado aquilo que tanto desejou no seu tempo, do seu jeito e na sua hora; porém, é preciso confiar que Deus vê além, e quando não permite que algo que tanto desejamos nos aconteça, só pode ser por um motivo: amor. Ele vê além e sabe o que é melhor para nós. Como é Senhor de tudo, também sabe o melhor tempo para nos dar o que desejamos agora. Entretanto, Ele quer que sonhemos, Ele sonha conosco, caminha ao nosso lado e nos incentiva, porque sabe que sonhar para nós é viver. De nossa parte, é preciso reconhecer esse amor incondicional e confiar n'Ele, aconteça o que acontecer. Experimente, hoje, olhar para as marcas da sua história com gratidão, considerando que nada é fruto de um acaso, e os sonhos também não. Na verdade, eles são inspirações divinas plantadas por Deus em sua alma desde seu nascimento.

Lembre-se de que você é único e tem um valor fundamental neste mundo. Portanto, siga seu coração e procure agir de acordo com aquilo que você sonha e deseja, e não de acordo com o que os outros pensam e querem para você. Nessa busca, você precisa ter calma com si mesmo e respeitar seu processo de mudança. O mundo pede urgência, é verdade, mas o coração tem seu próprio ritmo; é necessário respeitá-lo se quiser ser feliz. Converse com seu coração sobre seus sonhos e não tenha medo de dar passos, mesmo que sejam lentos, na direção que ele indicar. "O coração tem razões que a própria razão desconhece", mas se você prestar atenção na sua voz, vai ouvi-lo dizer: volte a sonhar, pois assim você encontrará a felicidade!


 


Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às terças-feiras, está à frente do programa "De mãos unidas", que apresenta às 21h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro "Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar" pela Editora Canção Nova.


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/volte-sonhar-e-reencontre-felicidade/

20 de julho de 2016

10 formas de amar seu namorado sem sexo

É possível amar de outras formas, sem ter relação sexual durante o namoro

Depois do texto " 10 formas de amar sua namorada sem sexo", escrito por meu esposo Adriano Gonçalves, trago para você "10 formas de amar seu namorado sem sexo". Lembrando que você encontrará muito mais em nosso livro, que será lançado em breve, "Agora e para sempre: como viver o amor verdadeiro".

Amar descobrindo

Descobrir o amor é descobrir a beleza que existe no interior do seu namorado, a capacidade de dar a própria vida por amor. É descobrir não o desenho dos músculos do seu namorado, mas a força da sua alma.

10 formas de amar meu namorado sem sexoFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Amar construindo

Amar é saber que um verdadeiro homem é construído, não nasce pronto. Amar é colaborar na construção desse homem, que poderá ser seu esposo e pai dos seus filhos. Antes de construir uma casa para morar a dois, e depois com os filhos, é preciso construir os alicerces do amor.

Amar recomeçando

Recomeçar é saber que quando caímos, podemos nos levantar. Amar é recomeçar perdoando, acolhendo e amadurecendo. Sempre há um recomeço para quem assume as próprias quedas e tem coragem de se levantar, pois acredita no amor.


Amar servindo

Amar é servir não apenas com uma boa comida, numa mesa bem posta, mas sendo suporte para o outro. É servir com alegria e disposição quando ele solicitar e também quando nem falar. A mulher é aquela que percebe os detalhes e se antecipa na ajuda.

Amar acolhendo

Acolher a pessoa inteira, não querer viver pela metade, é amor. Acolher mesmo que não tenha nada para dar, no silêncio fecundo; se necessário, falar sem julgar, apenas acolher.

Amar rezando

Rezar é amar e amar é rezar. Um casal de namorados que não reza perde-se nas próprias razões. Rezar é olhar além do que os olhos podem ver, é tocar na essência da alma humana, é o diálogo de quem se ama.

Amar respeitando

Respeito com a história e a verdade. Quando se respeita, abre-se caminhos novos e possibilidades de uma nova história. O respeito traduz que o outro é bem-vindo. Respeitar seu namorado é dizer-lhe: você é bem-vindo à minha vida.


Amar celebrando

Celebrar o amor, celebrar datas importantes e, acima de tudo, celebrar o dom, que é o outro. Celebrar é reconhecer que um presente lhe foi dado, e que você pode ser um presente para o seu namorado.

Amar cuidando

Cuidar é diferente de servir. Cuidar é ser o que o outro precisa na medida. O seu namorado, talvez, nunca tenha sido cuidado pelos pais e pela família, então, não queria ser a mãe dele, mas não negue a sua capacidade de cuidar.

Amar conduzindo

Conduzir não é dirigir o seu namorado, não é ser a cabeça do relacionamento. Queira conduzir o coração para o que é eterno, para o que não passa. Mesmo que, após um tempo, esse namoro termine, seja para começar um casamento ou para que cada um realinhe suas escolhas, não queria deixar feridas de dor, mas marcas do céu. Amar é conduzir o outro ao céu.

Achei algo interessante: perceba que o Adriano escreveu "As 10 formas de Amar" com verbos no infinitivo; eu escrevi no gerúndio. Não fizemos de propósito, mas, depois de escrito, identificamos essa diferença. Por que será ? Porque para amar de verdade é preciso amar agora em vista do infinito, mas, ao mesmo tempo, viver como uma ação que ainda está em construção. Pense nisso!

Deus o abençoe
Letícia Gonçalves


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/relacionamento/namoro/10-formas-de-amar-seu-namorado-sem-sexo/

18 de julho de 2016

Qual o verdadeiro significado do escapulário?

Compreenda por que devemos utilizar o escapulário e seu significado para a Igreja

Muitas pessoas utilizam o escapulário por modismo ou simplesmente porque outros o usam, mas qual é o verdadeiro significado dele?

São muitos os que usam o escapulário ou outros objetos de devoção sem saber o verdadeiro significado deles, pior ainda quando o usam como um amuleto, algo mágico que "dá sorte", que livra de "mau-olhado" ou coisa semelhante.

Qual o verdadeiro significado do escapulário
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com 

Como se o verdadeiro sentido não viesse do coração daquele que usa tal objeto, que, conhecendo o seu verdadeiro significado, usa-o para sinalizar algo que está em seu íntimo, em sua fé, em seus propósitos e conversão. Muitos usam cruzes, medalhinhas, terços e vários escapulários de Nossa Senhora do Carmo como modismo, porque todo mundo está usando ou porque "aquele artista" usou na novela.

Mas qual o verdadeiro significado do escapulário?

O escapulário ou bentinho do Carmo é um sinal externo de devoção mariana, que consiste na consagração a Santíssima Virgem Maria, por meio da inscrição na Ordem Carmelita, na esperança de sua proteção maternal. O escapulário do Carmo é um sacramental. No dizer do Vaticano II, "um sinal sagrado, segundo o modelo dos sacramentos, por intermédio do qual significam efeitos, sobretudo espirituais, que se obtêm pela intercessão da Igreja" (SC 60).

"A devoção do escapulário do Carmo fez descer sobre o mundo copiosa chuva de graças espirituais e temporais" (Pio XII, 6/8/50).


A devoção ao escapulário de Nossa Senhora do Carmo teve início com a visão de São Simão Stock. Segundo a tradição, a Ordem do Carmo atravessava uma fase difícil entre os anos 1230-1250. Recém-chegada à Europa como nômade, expulsa pelos muçulmanos do Monte Carmelo, a Ordem atravessava um período crítico. Os frades carmelitas encontravam forte resistência de outras ordens religiosas para sua inserção. Eram hostilizados e até satirizados por sua maneira de se vestir. O futuro dos carmelitas era dirigido por Simão Stock, homem de fé e grande devoto de Nossa Senhora.


O escapulário era um avental usado pelos monges durante o trabalho para não sujar a túnica. Colocado sobre as escápulas (ombros), o escapulário é uma peça do hábito que ainda hoje todo carmelita usa. Com o tempo, estabeleceu-se um escapulário reduzido para ser dado aos fiéis leigos. Dessa forma, quem o usasse poderia participar da espiritualidade do Carmelo e das grandes graças que a ele estão ligadas; entre outras o privilégio sabatino. Em sua bula, chamada Sabatina, o Papa João XXII afirma que aqueles que usarem o escapulário serão depressa libertados das penas do purgatório no sábado, que se seguir a sua morte. As vantagens do privilégio sabatino foram ainda confirmadas pela Sagrada Congregação das Indulgências, em 14 de julho de 1908.

O escapulário é feito de dois quadradinhos de tecido marrom unidos por cordões, tendo de um lado a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e de outro o Coração de Jesus, ou o brasão da Ordem do Carmo. É uma miniatura do hábito carmelita, por isso é uma veste. Quem se reveste do escapulário passa a fazer parte da família carmelita e se consagra a Nossa Senhora. Assim, o escapulário é um sinal visível da nossa aliança com Maria.

Compromissos de quem utiliza o escapulário

É importante destacar algumas atitudes que devem ser assumidas por quem se reveste desse sinal mariano:

• Colocar Deus em primeiro lugar na sua vida e buscar sempre realizar a vontade d'Ele.
• Escutar a Palavra de Deus na Bíblia e praticá-la na vida.
• Buscar a comunhão com Deus por meio da oração, que é um diálogo íntimo que temos com Aquele que nos ama.
• Abrir-se ao sofrimento do próximo, solidarizando-se com ele em suas necessidades, procurando solucioná-las.
• Participar com frequência dos sacramentos da Igreja, da Eucaristia e da confissão, para poder aprofundar o mistério de Cristo em sua vida.

Eu fui revestido com o escapulário, no dia 16 de julho de 1996, quando estava no noviciado da Canção Nova. Nesse dia, consagrei minha afetividade e sexualidade aos cuidados da Virgem Maria, que pode contar sempre com os meus esforços e abertura de coração, para ser digno de receber as graças dessa santa devoção.

Referência: Província Carmelitana


Padre Luizinho

Padre Luizinho, natural de Feira de Santana (BA), é sacerdote na Comunidade Canção Nova. Ordenado em 22 de dezembro de 2000, cujo lema sacerdotal é "Tudo posso naquele que me dá força". Twitter: http://@peluizinho


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/nossa-senhora/devocao-nossa-senhora/qual-o-verdadeiro-significado-do-escapulario/

15 de julho de 2016

O que entendemos por Ortotanásia?

A ortotanásia é sensível ao processo de humanização da morte e alívio das dores

Morte digna, sem abreviações desnecessárias nem sofrimentos adicionais, isto é, "morte em seu tempo certo". Com o prefixo grego orto, que significa "correto", e thanatos, que significa "morte", "ortotanásia" tem o sentido de morte "em seu tempo certo", ou seja, "morte pelo seu processo natural", sem abreviações nem prolongamentos desproporcionais ao processo de morrer. Portanto, a ortotanásia acontece quando o paciente já não dispõe mais de nenhum recurso terapêutico capaz de reverter seu quadro. Já atingiu o estágio de irreversibilidade.

O que é Ortotanasia
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

A ortotanásia, diferente da distanásia, é sensível ao processo de humanização da morte e alívio das dores, e não incorre em prolongamentos abusivos com a aplicação de meios desproporcionados que imporiam sofrimentos adicionais. Portanto, implica dispensar o uso de recursos extraordinários quando não há a mínima esperança de cura ou de melhoria da qualidade da vida. A prudência e a ética exigem que médicos e parentes mais próximos (especialmente quando o paciente está inconsciente e não reúne condições para oferecer uma opinião) concordam com o processo.

Aceitação da morte natural

Não dispensando medidas analgésicas e humanistas cabíveis, como a hidratação, nutrição, eventual assistência psicológica e religiosa, isso consiste na aceitação razoável da morte natural, mediante eventual desligamento de aparelhos de manutenção artificial de uma vida nem sempre consciente, como justificou Pio XII ("Discurso do Papa Pio XII sobre a anestesia" de 24/02/1957).

É a situação em que se reconhece a inutilidade do tratamento para manter vivo o paciente. Nesse caso, recorre-se aos cuidados paliativos sem, contudo, utilizar meios para abreviar a vida. É situação intermediária entre a eutanásia (abreviar a vida) e a distanásia (prolongamento indevido do processo de morrer). Por isso, a prática da ortotanásia visa evitar a eutanásia e a distanásia ou, como afirma Leo Pessini, "não devemos abreviar a vida nem a prolongar, mas sim humanizar e cuidar".



A ortotanásia dá assistência médica e afetiva ao paciente terminal, para ele morrer com tranquilidade. Nesse caso, o doente recebe cuidados e medicamentos paliativos, que não vão curá-lo, mas evitam um sofrimento maior até o momento em que a morte venha naturalmente.

Segundo a Resolução 1.805/2006 do Conselho Federal de Medicina (CFM), é o procedimento pelo qual o paciente em fase terminal ou o seu representante legal decide renunciar ao uso de terapêuticas consideradas invasivas, e o médico limita ou suspende procedimentos e tratamentos dolorosos e prolongados para amenizar os sintomas que acarretam o sofrimento. Portanto, essa prática é apresentada como manifestação da morte boa ou morte desejável.

O Código de Ética Médica ratifica a ortotanásia, e os médicos podem ministrar somente os cuidados paliativos, que auxiliarão o doente a tolerar melhor a dor e suavizar o sofrimento. Com isso, pode-se entender que é dever do médico praticar a ortotanásia quando solicitada pelo paciente terminal.

Princípios ético-cristãos

A bioética, neste caso, está intrinsecamente ligada ao cuidado, aos prolongamentos e às abreviações da vida. Ela prega, na verdade, a ortotanásia, que é a morte no seu tempo certo, reta, digna, sensível ao processo de humanização. Como afirma o Catecismo da Igreja Católica (2279): "Mesmo quando a morte é considerada iminente, os cuidados comumente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente interrompidos. O emprego de analgésicos para aliviar os sofrimentos do moribundo, ainda que com o risco de abreviar seus dias, pode ser moralmente conforme a dignidade humana se a morte não é desejada, nem como fim nem como meio, mas somente prevista e tolerada como inevitável. Os cuidados paliativos constituem numa forma privilegiada de caridade desinteressada. Por essa razão, devem ser encorajados".

O Santo Papa João Paulo II, na carta Encíclica Evangelium Vitae n.64, ao escrever sobre a morte, diz: "No outro topo da existência, o homem encontra-se diante do mistério da morte. Hoje, na sequência dos progressos da medicina e num contexto cultural frequentemente fechado à transcendência, a experiência do morrer apresenta-se com algumas características novas. Com efeito, quando prevalece a tendência para apreciar a vida só na medida em que proporciona prazer e bem-estar, o sofrimento aparece como um contratempo insuportável, de que é preciso libertar-se a todo custo. A morte, considerada como "absurda" quando interrompe inesperadamente uma vida ainda aberta para um futuro rico de possíveis experiências interessantes, torna-se, pelo contrário, uma "libertação reivindicada", quando a existência é tida como já privada de sentido, porque mergulhada na dor e inexoravelmente voltada a um sofrimento sempre mais intenso".

Ninguém está imune ou livre do sofrimento e da doença (é condição humana). A experiência da doença revela a fragilidade da existência humana, é uma possibilidade concreta, eticamente falando, de a pessoa descobrir o valor da vida, porque ou lhe dá sentido ou fracassa, não tem meio termo. A etapa final da vida merece ser cuidada assim como as demais fases. Falecer com dignidade traz à discussão a qualidade de vida no processo de morrer.

O paciente deve ter o direito de recusar tratamentos quando sente que sua qualidade de vida está ameaçada, pois se procura a dignidade do princípio ao fim da vida, afirma Leo Pessini e Bertachini. É um interesse em humanizar o processo de morte de um paciente terminal, em aliviar suas dores, em não pretender prolongar abusivamente sua existência pela aplicação de meios desproporcionais.

A determinação de não delongar a vida é complexa

Conforme o teólogo Junges, a determinação de não delongar a vida é complexa, entretanto, o limite para designar está claramente fechado à percepção de morte digna associada à plena consciência das restrições de intervenção. Parece claro que o utópico seria ouvir, sentir e pensar com o indivíduo que sofre a amarga presença do evento inevitável da morte, para dessa relação complexa surgir a solução mais apropriada possível para cada caso.

A Dra. Maria Elisa Villas-Bôas, pediatra e doutora em Direito, afirma que a ortotanásia é o objetivo médico quando já não se pode buscar a cura, e visa prover conforto ao paciente, sem interferir no momento da morte, sem encurtar o tempo natural de vida nem adiá-lo indevida e artificialmente, possibilitando que a morte chegue na hora certa, quando o organismo efetivamente alcançou um grau de deterioração incontornável; e mais do que uma atitude, a ortotanásia é um ideal a ser buscado pela Medicina e pelo Direito, dentro da inegabilidade da condição de mortalidade humana.

A ortotanásia ou a morte como condição, que faz parte do nosso ciclo natural, é aprovada pela Igreja Católica. Por isso, na fase terminal de enfermidades graves e incuráveis, é permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente, garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva de uma assistência integral, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante legal (Res. n.1.805/2006, CFM). O direito à morte digna, a partir da ortotanásia, é fundamentado na dignidade da pessoa humana.

Na prática, a aplicação da ortotanásia deve levar em consideração alguns princípios, a saber: a autonomia do paciente terminal ou dos seus parentes próximos em decidir querer morrer dignamente; a não-maleficência de não exagerar um tratamento fútil que lhe cause mais dores e sofrimentos; na beneficência da promoção do alívio, do conforto, do cuidado e da dignidade; e na justiça, na qual se para alguns não há mais chance de cura, deve-se buscar promover o acesso ao tratamento para aquele que pode se tornar sadio. É preciso considerar que o médico não é obrigado a intervir no prolongamento da vida do paciente além do seu período natural, salvo se tal lhe for expressamente requerido pelo doente ou seus familiares.

Como afirma o teólogo espanhol Marciano Vidal, "a ortotanásia é uma síntese ética do direito de morrer com dignidade e do respeito pela vida humana".

 


Padre Mário Marcelo Coelho

Mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG), padre Mário é também licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque (SC) e bacharel em Teologia pela PUC-RJ. Mestre em Teologia Prática pelo Centro Universitário Assunção (SP). Doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana de Roma/Itália. O sacerdote é autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral; além de professor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP). Membro da Sociedade Brasileira de Teologia Moral e da Sociedade Brasileira de Bioética.


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/o-que-entendemos-por-ortotanasia/