16 de dezembro de 2024

Moral e representação: o dever moral da representação política

A responsabilidade moral dos representantes

Aqueles que assumem o compromisso de representar os cidadãos nas instâncias de poder precisam reconhecer: o exercício dessa responsabilidade requer irrenunciável dever moral, pois não se pode negligenciar o cumprimento da "palavra dada". Trata-se de responsabilidade que deve emoldurar a conduta de cada cidadão, e, principalmente, das figuras públicas governamentais.

Moral e representação o dever moral da representação política

Crédito: Jupiterimages / GettyImages

Deve-se cumprir as promessas e os protocolos assinados, os acordos estabelecidos em cúpulas, congressos, reuniões de grupos majoritários, sobretudo quando contemplam metas de preservação ambiental e promoção da justiça social. Ao se assumir um compromisso, não bastam os discursos bem arquitetados. Ora, tem razão a sabedoria popular quando aponta que "falar é fácil, cumprir é que são elas". Ou ainda quando se diz que o "papel aceita tudo".

Governantes e servidores públicos, contracenando com demais cidadãos – a quem devem servir – são chamados, permanentemente, a respeitar o primado da sociedade civil – cláusula inegociável e intocável.

O descaso com a sociedade: inaceitável na função pública

Preciosamente ensina a Doutrina Social da Igreja Católica que a comunidade política está a serviço da sociedade civil, isto é, a serviço das pessoas. Quando são ocupados cargos nas instâncias do poder, torna-se ainda maior a obrigação de fielmente cumprir as metas e os compromissos assumidos.

A comunidade civil não pode ser tratada com o descaso que se expressa a partir do desrespeito às tarefas que são intrínsecas à função pública. Isso significa que são injustificáveis atitudes que buscam apenas contemplar interesses cartoriais e oligárquicos. A comunidade política nasce do coração da sociedade civil, a quem deve servir.

Distanciar-se dessa verdade é grave, pois inviabiliza o cumprimento do dever moral de efetivar e promover o bem comum, essencial a todos. Esse dever moral dos governantes precisa incidir, especialmente, no campo econômico, onde não são válidas, simplesmente, as regras do mercado – a economia deve reger-se por princípios inegociáveis.

Economia a serviço do desenvolvimento humano

A ordem econômica não pode ser considerada esfera autônoma em relação ao campo moral. A dimensão moral da economia deve ser prioridade dos governantes, para que seja alcançada uma eficiência econômica capaz de levar a humanidade ao desenvolvimento solidário. São interligadas, pois, intrinsecamente, a moral e a economia.

A Doutrina Social da Igreja, nesta direção, ensina que a moral constitutiva da vida econômica não é nem opositiva nem neutra, inspira-se na justiça e na solidariedade. Uma inspiração que se desdobra no compromisso de promover uma economia eficaz e inclusiva, na contramão de um crescimento que desconsidera o bem dos seres humanos, condenando muitas pessoas à indigência e à exclusão.

Torna-se evidente, portanto, a exigência moral de se respeitar propósitos assumidos, sem desvirtuamentos, sem se descuidar do que está documentado em acordos e declarações. A meta a ser alcançada é a promoção do bem comum, que contempla todos os cidadãos e precisa ser garantido a partir da dedicação da comunidade política.

O papel da comunidade política na promoção do bem comum

Compreende-se a importância determinante dos desempenhos governamentais para consolidar a autoridade política. Somente conquistam a autoridade política, obtendo o reconhecimento da população, aqueles que se pautam no horizonte do dever moral, sem negociações espúrias ou conivências mesquinhas.

Iluminados pelo dever moral de buscar garantir à comunidade uma vida balizada pela ordem e retidão, líderes políticos hão de cumprir suas promessas, para não cair em descrédito, gerando atrasos que inviabilizam respostas urgentes.


A autoridade política pertence ao povo que a confia a governantes para que possam bem exercer a representação pública. Assim, aqueles que estão no exercício do poder precisam buscar merecer, sempre mais, a confiança da população, que verdadeiramente detém a autoridade política.

Fundamento da credibilidade política

Esse merecimento se conquista buscando servir com qualidade, a partir da promoção de valores humanos essenciais, que garantam o desenvolvimento sustentável. O respeito às leis deve ser o horizonte comum a todos, a ser vivido a partir do dever moral de propor e cumprir metas. Caso contrário, prevalecerão somente a ostentação de aparatos, os discursos vazios, demagógicos, que apenas concretizam frustrações.

Aparatos e discursos que, distantes de parâmetros morais, contribuem para normalizar uma economia perversa e excludente, onde ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres, sempre mais pobres.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/moral-e-representacao-o-dever-moral-da-representacao-politica/

15 de dezembro de 2024

Imaculada e imaculados: Maria nos leva ao encontro do Cristo

Imaculada Conceição no Advento: um tempo de esperança e preparação

A Solenidade da Imaculada Conceição, neste ano celebrada no Segundo Domingo do Advento, remete-nos com alegria às palavras sábias e precisas de São Paulo VI, na Exortação Apostólica "Marialis Cultus" (cf. Números 3 e 4): "No tempo do Advento a Liturgia, não apenas na Solenidade de 8 de dezembro, celebração, a um tempo, da Imaculada Conceição de Maria, da preparação radical (cf. Is 11,1.10) para a vinda do Salvador e para o feliz exórdio da Igreja sem mancha e sem ruga, recorda com frequência a bem-aventurada Virgem Maria, sobretudo nos dias 17 a 24 de dezembro; e, mais particularmente, no domingo que precede o Natal, quando faz ecoar antigas palavras proféticas acerca da Virgem Mãe e acerca do Messias e lê episódios evangélicos relativos ao iminente nascimento de Cristo e do seu Precursor.

Imaculada e imaculados Maria nos leva ao encontro do Cristo

Crédito: ilbusca / GettyImages

Desta maneira, os fiéis que procuram viver com a Liturgia o espírito do Advento, ao considerarem o amor inefável com que a Virgem Mãe esperou o Filho, serão levados a tomá-la como modelo e a prepararem-se, também eles, para irem ao encontro do Salvador que vem, bem vigilantes na oração e celebrando os seus divinos louvores.

A Liturgia do Advento, conjugando a expectativa messiânica e a outra expectativa da segunda vinda gloriosa de Cristo, com a admirável memória da Mãe, apresenta um equilíbrio cultual muito acertado, que bem pode ser tomado como norma a fim de impedir quaisquer tendências para separar, como algumas vezes sucedeu em certas formas de piedade popular, o culto da Virgem Maria do seu necessário ponto de referência: Cristo.

Além disso, faz com que este período, como têm vindo a observar os cultores da Liturgia, deva ser considerado como um tempo particularmente adequado para o culto da Mãe do Senhor: orientação essa, que nós confirmamos e auspiciamos ver aceita e seguida por toda a parte".

Maria Imaculada: modelo de fé e discípulo para o Advento

Assim predispostos, tomamos de nosso cancioneiro religioso, uma preciosidade: "Imaculada, Maria de Deus, coração pobre acolhendo Jesus. Imaculada, Maria do povo, mãe dos aflitos que estão junto à cruz. Um coração que era sim para a vida, um coração que era sim para o irmão, um coração que era sim para Deus, Reino de Deus renovando este chão.

Olhos abertos para a sede do povo, passo bem firme que o medo desterra, mãos estendidas que os tronos renegam, Reino de Deus que renova esta terra. Faça-se, ó Pai, vossa plena vontade, que os nossos passos se tornem memória do amor fiel que Maria gerou, Reino de Deus atuando na história!" (Letra e Música: Frei Fabreti).

O plano de Deus: a Imaculada Conceição como preparação para a encarnação

O plano de Deus: Imaculada! Desde toda a eternidade, o amor de Deus preparou a participação humana na Encarnação do Verbo, preservando a Virgem Maria de toda a mancha do pecado original, justamente em previsão dos méritos de Cristo. Escolha livre na eternidade dos desígnios da Trindade Santíssima, para acolher o mistério da liberdade humana de uma apenas adolescente na realização da Salvação.

Tudo começa no alto, nos planos de Deus. E aquela que foi feita Imaculada, acolhe Jesus, com seu coração pobre e simples, tão sem pretensões que se declarou escrava!

Imaculada Maria: coração pobre acolhendo a Palavra de Deus

Maria Imaculada! Se Jesus Cristo é o Verbo de Deus encarnado, podemos olhar para Maria como a toda revestida da Palavra de Deus, aquela que escolheu radicalmente fazer a vontade de Deus, tornando-se Mãe antes em sua alma e depois no corpo, um coração que era sim para a vida, um coração que era sim para o irmão, um coração que era sim para Deus, Reino de Deus renovando este chão!

O fato de ser Mãe Imaculada acompanhou toda a sua existência nesta terra. Por onde passou, fez o bem, visitando e servindo sua prima Isabel, enfrentando com serenidade todos os eventuais infortúnios e perdas que experimentou com valentia e convivendo com Jesus e José na Casa de Nazaré! Uma casa e uma oficina de trabalho, um espaço certamente harmônico e belo, iluminado pelo gênio feminino de Nossa Senhora!

Mãe Imaculada sempre de olhos abertos para a sede do povo

Mãe, serva, Nossa Senhora! Olhos abertos para a sede do povo, passo bem firme que o medo desterra, mãos estendidas que os tronos renegam, Reino de Deus que renova esta terra. Aquela que foi Mãe se fez discípula e modelo para os discípulos de todos os tempos.


Caná é o sinal de seu zelo, com o qual continua, pelos séculos afora, a levar a Jesus tudo o que significa aquele "Eles não têm mais vinho"! Testemunham esta verdade a quantidade de títulos, correspondentes a todas as necessidades humanas, a ela atribuídos em todas as partes do mundo. Lá do Céu, assim acompanha a peregrinação da fé de todos os filhos acolhidos aos pés da Cruz.

Imaculada Conceição: um chamado à imaculatização em nossa vida

Imaculada! Ela passa na frente, mas todos nós somos chamados à imaculatização! "Em Cristo, Deus nos escolheu antes da fundação do mundo para sermos santos e imaculados diante d'Ele no amor. Conforme o desígnio benevolente de sua vontade, ele nos predestinou à adoção como filhos, por obra de Jesus Cristo, para o louvor de sua graça gloriosa, com que nos agraciou no seu bem-amado" (cf. Ef 1,4-6).

Se podemos considerar a Virgem Maria como a "humanidade passada a limpo", ela antecipa o que todos nós somos chamados a viver, sem nivelar nossa vida pelo rodapé do pecado e da maldade. Com ela e contemplando-a com alegria, todos somos convidados a olhar para o alto e para frente.

Quando recebeu a visita do Anjo, os padres da Igreja dizem que Maria só poderia caminhar para as alturas, simbolizadas pelas montanhas em que moravam Isabel e Zacarias! Podemos pedir confiantes, a esta altura do Advento: Faça-se, ó Pai, vossa plena vontade, que os nossos passos se tornem memória do amor fiel que Maria gerou, Reino de Deus atuando na história!

Para colocar em prática o que meditamos, seja nosso propósito de Advento arrumar e limpar a casa de nosso coração, para que seja parecido com Maria, e o Natal aconteça de verdade no meio de nós!


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/nossa-senhora/imaculada-e-imaculados-maria-nos-leva-ao-encontro-do-cristo/

É preciso seguir as normas existentes nos diretórios litúrgicos

Entendendo melhor sobre os diretórios litúrgicos

Quando se fala de "escolha" da Missa, não se trata de uma escolha arbitrária ou ao bel-prazer do sacerdote presidente. Embora seja ele quem presidirá a Eucaristia, o padre precisa seguir as normas e orientações existentes nos diretórios litúrgicos como, por exemplo, a Introdução Geral do Missal Romano (IGMR) que será o livro que nos orientará durante este artigo.

É preciso seguir as normas existentes nos diretórios litúrgicos

Foto Ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

O sacerdote precisa conformar-se com o calendário da Igreja em que ele está situado. Existem algumas datas que em certos tempos litúrgicos são obrigatórias de serem seguidas. São elas: os domingos, os dias feriais do Advento, o Natal, a Quaresma e o Tempo Pascal, as festas e memórias obrigatórias. Contudo, nas memórias facultativas da Virgem Maria e de Santos venerados pelos fiéis, o padre pode celebrá-las em função da piedade do povo de Deus.

A Introdução Geral ao Missal Romano (IGMR), no n° 29, deixa estritamente claro a importância das leituras bíblicas: "Quando, na Igreja, se lê a Sagrada Escritura, é o próprio Deus quem fala ao seu povo, é Cristo, presente na sua Palavra, quem anuncia o Evangelho". Na liturgia da Palavra, é Deus quem comunica aos fiéis, por isso a leitura das Sagradas Escrituras jamais podem ser substituídas por outras leituras que não estejam no Cânon Romano, por mais nobre que sejam.

O que dizem os diretórios litúrgicos?

Durante os domingos e solenidades, as leituras são três: do Profeta, do Apóstolo e do Evangelho, a fim de fazer com que o povo de Deus conheça a obra de salvação. Durante as festas, são feitas duas leituras e nos dias de semana o Lecionário Ferial traz as devidas leituras. Já, nas Missas rituais, nas quais se incluem alguns Sacramentos ou Missas por várias necessidades, faz-se uma escolha especial dos textos da Sagrada Escritura (IGMR, 359).

A Oração Eucarística faz parte das orações presidenciais, ela é o ponto central de toda a celebração da Santa Missa. Pode-se encontrar também, no Missal Romano, inúmeros Prefácios que servem para evidenciar os aspectos do mistério da salvação.

Dessa forma, a orientação é a seguinte: "a Oração Eucarística I, também conhecida como Cânone Romano, pode-se usar sempre, mas é mais indicado nos dias que têm um Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio, ou nas Missas com Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprio, bem como nas celebrações dos Apóstolos e dos Santos mencionados nessa Oração". Contudo, por motivos pastorais, nesses dias pode-se usar a Oração Eucarística III (IGMR, 365).

A Oração Eucarística II é mais indicada nos dias feriais e em circunstâncias específicas, mesmo contendo Prefácio próprio, pode-se utilizar outros Prefácios. A Oração Eucarística III pode-se usar em qualquer Prefácio; ela é normalmente usada nos domingos e festas. Já, a Oração Eucarística IV tem Prefácio fixo e é a que mais contempla a história da salvação, podendo ser empregada sempre que a Missa não tem Prefácio próprio ou nos domingos (IGMR, 365).

Missas e orações para cada circunstância

A exemplo da vida de Jesus, a Liturgia Sacramental proporciona ao fiel a possibilidade de santificar quase todos os acontecimentos da sua vida, por meio do mistério pascal que envolve todos os sacramentos. Dessa forma, existindo a possibilidade de escolher leituras e orações, o ministro ordenado deve agir com prudência e fazer as escolhas devidas somente quando forem realmente convincente pastoralmente.


Dentro de necessidades especiais e com a autorização do bispo, pode-se celebrar alguma particularidade por necessidade pastoral, exceto nas solenidades, nos domingos do Advento, Quaresma e Páscoa, nos dias dentro das Oitavas da Páscoa, na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, na Quarta-Feira de Cinzas e nos dias feriais da Semana Santa.

Liturgia em dias específicos, segundo os diretórios litúrgicos

As celebrações em honra da bem-aventurada Virgem Maria, dos Anjos ou de algum Santo podem acontecer para satisfazer os fiéis dentro dos dias feriais do Tempo Comum, mesmo existindo memórias facultativas. Contudo, quando acontecer de haver memórias obrigatórias ou uma féria do Advento, até 16 de dezembro; do Tempo do Natal, de 2 de janeiro em diante; ou do Tempo Pascal, depois da Oitava da Páscoa; não é permitido Missas votivas ou em diversas necessidades. Ainda existe uma recomendação de celebrar-se a memória da Virgem Maria no sábado.

A Igreja também oferece, pelos fiéis defuntos, o sacrifício Eucarístico, para que, por meio desse mistério, alcance auxílio espiritual, e, para os vivos, consolo e esperança. Em primeiro lugar, está a Missa exequial, em que é permitido celebrar todos os dias com exceção nas solenidades de preceitos, nos domingos do Advento, no Tríduo Pascal, Quaresma e Tempo Pascal.

É permitido alguma adaptação aos diretórios litúrgicos?

É do bispo diocesano a responsabilidade por aquele rebanho localizado na sua diocese. Ele é, ali, o sumo sacerdote de quem depende a vida dos seus fiéis em Cristo, ele deve ordenar, promover e zelar pela Liturgia dentro da sua diocese. Dessa forma, o Bispo tem competência para realizar adaptações litúrgicas. Uma das funções importantes do Bispo é alimentar o espírito da Sagrada Liturgia nos sacerdotes, diáconos e fiéis.

A Conferência Episcopal também tem a incumbência de realizar algumas adaptações. Esses ajustes estão contidos na Introdução Geral do Missal Romano, por exemplo: gestos e atitudes corporais, gestos de veneração do altar e do Evangeliário, alterações nos textos dos cânticos de entrada, ofertório e comunhão, as leituras das Sagradas Escrituras que serão utilizadas em determinadas circunstâncias, a maneira de dar a paz, o modo de receber a Sagrada Comunhão, o material do altar, as alfaias sagradas, realizar traduções dos textos bíblicos utilizados nas celebrações.

O notório, para cada fiel, é que a Igreja, em suas mais variadas "áreas", assim como na Liturgia, vive dentro de um organismo vivo e organizado. Por isso também afirmamos que o Espírito Santo é quem assiste a Igreja, pois Ele é gerador de ordem. O amor que cada um deve ter pela Igreja é de igual forma o amor que Cristo tem por Ela, pois os dois compõem um mesmo corpo.

Equipe Formação Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/liturgia/catequese-liturgica/e-preciso-seguir-as-normas-existentes-nos-diretorios-liturgicos/

14 de dezembro de 2024

Como se relacionar com Nossa Senhora no dia a dia?

Cada paróquia no Brasil tem um título de Nossa Senhora que ganha destaque na comunidade local. Quando se aproxima a festa relacionada a esse título mariano, a paróquia se mobiliza, faz novena, quermesse e celebra muito a festividade.

Nossa Senhora só está presente em nossa vida nesses momentos particulares? Somos fiéis devotos dela, mas só pedimos sua intercessão nas Missas celebrativas ou quando estamos com problemas a resolver? Não é esse o desejo de Deus ao nos dar Maria como Mãe, nem é o desejo dela ao nos assumir como filhos. Ela quer participar do nosso dia a dia, auxiliando-nos e fortalecendo-nos na caminhada até Deus.

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Trazer Nossa Senhora para perto

São Bernardo nos ensina que "nos perigos, nas angústias e dúvidas, devemos pensar em Maria, invocando-a". São Boaventura afirma: "Jamais li que algum santo não tivesse sido devoto especial da Santíssima Virgem". Na oração da Ladainha de Nossa Senhora, nós a chamamos de "auxílio dos cristãos". Sim, ela o é! Nossa Senhora é Auxiliadora!

No Evangelho de João 19,26-27, vemos que "Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse a ela: 'Mulher, eis o teu filho!'. Depois, disse ao discípulo: 'Eis a tua mãe!'. A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu'".

Papa Francisco, ao meditar essa leitura, fala-nos: "Temos uma Mãe que está conosco, que nos protege, acompanha e ajuda também nos tempos difíceis, nos maus momentos".

A maternidade de Maria

Podemos encontrar um vasto conteúdo nos escritos dos Papas e Santos da Igreja mostrando-nos a real maternidade de Maria. A resposta de João às Palavras do Cristo na cruz nos mostra qual deve ser nossa postura ao acolher a Virgem Santa como Mãe: "A partir daquela hora, o discípulo a acolhe no que era seu". Esse é o centro do relacionamento materno entre Maria e seus filhos, não somente crer na maternidade, mas trazer Nossa Senhora para perto, colocá-la a par dos acontecimentos e sentimentos que, diariamente, compõem nossa vida, e para isso há um caminho eficaz: a oração.

Seja o Rosário, o Ofício, a Ladainha ou uma jaculatória que invoca a proteção da Santíssima Virgem, seja um momento longo ou um breve elevar da alma até o colo sublime da Mãe de Deus, o certo é que devemos seguir o exemplo de João e trazer Maria para tudo o que nos pertence. Apresentar a ela nossos conflitos e medos, nossas vitórias e projetos, e tê-la como Mãe é encontrar nela uma companheira para o dia a dia.

Muitas vezes, durante o meu dia, elevo meu coração a Maria. Além de rezar o Santo Terço, vou colocando-me nas mãos dela no decorrer das horas e dos fatos ocorridos. Quando estou realizando algum trabalho, para o qual não tenho muito domínio, vou pedindo a Maria que venha em meu auxílio. Quando vivo uma situação difícil, busco nela um apoio.


Mostra-te, Mãe

Na Carta Encíclica Adiutricem Populi, Papa Leão XIII fala de uma jaculatória simples, mas eficaz: "Mostra-te, Mãe". Ele convida os cristãos a invocarem Maria nos acontecimentos do dia e pedir sua presença ou seu conselho.

Maria não somente quer nos acolher como filhos, como deseja nos acompanhar por toda nossa peregrinação aqui na Terra rumo à morada eterna.

Nos acontecimentos duros da vida, nos momentos de solidão e dor, alegria e realização, clamemos essa simples oração que nos ensina o Santo Padre: "Mostra-te, Mãe". Confiemos: aquela que acompanhou Jesus até o Calvário também nos acompanhará por todos os caminhos.

Equipe Formação Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/nossa-senhora/como-se-relacionar-com-nossa-senhora-no-dia-a-dia/

13 de dezembro de 2024

Conheça a história da santa protetora dos olhos



Santa Luzia (ou Santa Lúcia), cujo nome deriva do latim, é muito amada e invocada como a protetora dos olhos, janela da alma, canal de luz.

Conta-se que pertencia a uma família italiana e rica, que lhe deu ótima formação cristã, ao ponto de Luzia ter feito um voto de viver a virgindade perpétua. Com a morte do pai, Luzia soube que sua mãe queria vê-la casada com um jovem de distinta família, porém pagão. Ao pedir um tempo para o discernimento foi para uma romaria ao túmulo da mártir Santa Ágeda, de onde voltou com a certeza da vontade de Deus quanto à virgindade e quanto aos sofrimento por que passaria, como Santa Ágeda.

Vendeu tudo, deu aos pobres e logo foi acusada pelo jovem que a queria como esposa. Santa Luzia, não querendo oferecer sacrifício ao deuses e nem quebrar o seu santo voto, teve que enfrentar as autoridades perseguidoras e até a decapitação em 303, para assim testemunhar com a vida, ou morte o que disse: "Adoro a um só Deus verdadeiro, e a ele prometi amor e fidelidade".

Somente em 1894 o martírio da jovem Luzia, também chamada Lúcia, foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Ilha da Sicília. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV.

Mas a devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.

Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra "A Divina Comédia", que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje.

Luzia pertencia a uma rica família de Siracusa. Sua mãe, Eutíquia, ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado. Isso aconteceu porque uma terrível doença acometeu sua mãe. Luzia, então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de santa Águeda ou Ágata. A mulher voltou curada da viagem e permitiu que a filha mantivesse sua castidade. Além disso, também consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres, como era seu desejo.

Entretanto quem não se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia como cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; assim, a jovem foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304.

Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.


Fonte: https://noticias.cancaonova.com/brasil/conheca-a-historia-da-santa-protetora-dos-olhos/

12 de dezembro de 2024

Rezemos uma oração a Nossa Senhora de Guadalupe

Rezemos uma oração a Nossa Senhora de Guadalupe

Foto Ilustrativa: Laks-Art by GettyImages


Perfeita, sempre Virgem Santa Maria,
Mãe do Verdadeiro Deus, por quem se vive.
Tu, que, na verdade, és nossa Mãe Compassiva,
te buscamos e te clamamos.
Escuta com piedade nosso pranto, nossas tristezas.
Cura nossas penas, nossas misérias e dores.
Tu, que és nossa doce e amorosa Mãe,
acolhe-nos no aconchego do teu manto,
no carinho de teus braços.

Que nada nos aflija nem perturbe nosso coração.

Mostra-nos e manifesta-nos a teu amado Filho,
para que n'Ele e com Ele encontremos
nossa salvação e a salvação do mundo.
Santíssima Virgem Maria de Guadalupe,
Faz-nos mensageiros teus,
mensageiros da Palavra e da vontade de Deus.
Amém.

Oração de São João Paulo II a Nossa Senhora de Guadalupe

Oh, Virgem Imaculada, Mãe do verdadeiro Deus e Mãe da Igreja, Tu, que desse lugar manifestas tua clemência e tua compaixão a todos que solicitam teu amparo, escuta a oração que te dirigimos, com filial confiança, e a apresente a teu Filho Jesus, nosso único Redentor. Mãe de Misericórdia, Mestra do sacrifício escondido e silencioso, a ti, que vens ao encontro de nós pecadores, te consagramos, neste dia, todo nosso ser e todo nosso amor.

Consagramos-te também nossa vida, nossos trabalhos, nossas alegrias, enfermidades e dores. Concede a paz, a justiça e a prosperidade a nossos povos. Tudo o que temos e somos colocamos sob teus cuidados, Senhora e Mãe nossa. Queremos ser totalmente teus e percorrer contigo o caminho de plena fidelidade a Jesus Cristo em sua Igreja. Não nos soltes de tua mão amorosa. Virgem de Guadalupe, Mãe das Américas, te pedimos por todos os bispos, para que conduzam os fiéis por caminhos de intensa vida cristã, de amor e humilde serviço a Deus e às almas.

Contempla essa imensa messe e intercede para que o Senhor infunda fome de santidade em todo o Povo de Deus, e envie abundantes vocações sacerdotais e religiosas, fortes na fé e zelosos dispensadoras dos mistérios de Deus. Concede aos nossos lares a graça de amar e respeitar a vida que começa com o mesmo amor com que concebeste, em teu seio, a vida do Filho de Deus.

Virgem Santa Maria, Mãe do Formoso Amor, protege nossas famílias, para que estejam sempre muito unidas, e abençoe a educação de nossos filhos. Esperança nossa, lança-nos um olhar compassivo, ensina-nos a procurar, continuamente, a Jesus e, se cairmos, ajuda-nos a nos levantar, a nos voltarmos a Ele, mediante a confissão de nossas culpas e pecados no sacramento da Penitência, que traz serenidade à nossa alma.

Nós te suplicamos para que nos concedas um grande amor a todos os santos sacramentos, que são as pegadas de teu Filho na terra. Assim, Mãe Santíssima, com a paz de Deus na consciência, com nossos corações livres do mal e do ódio, poderemos levar a todos a verdadeira alegria e a verdadeira paz, que vem de teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que com Deus Pai e com o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

Sua Santidade João Paulo II México, janeiro de 1979.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/oracao/rezemos-uma-oracao-a-nossa-senhora-de-guadalupe/

9 de dezembro de 2024

Oração para alcançar a paz interior

No alvorecer da esperança, venho Te pedir, Senhor,
a paz que restaura os corações aflitos.
Desejo a paz, que cura as feridas
e tranquiliza as emoções agitadas
das falas precitadas.

Cubra-me com o manto da serenidade,
ilumina-me com a luz da bondade
e acalma minhas tempestades interiores.

Ensina-me, Senhor,
a lição das flores, que, silenciosamente,
desabrocham espalhando a beleza da vida
e o perfume suave da delicadeza
sem nada pedir em troca.

Que minha vida irradie a paz das manhãs
e o acalento findar das tardes serenas.
Que meu silêncio não seja apenas ausência de palavras,
mas sim uma oferta de amor a ti.

Fala, Senhor, através do meu olhar!
Que eles possam ver além das aparências,
e que meus pensamentos de condenação
se convertam em prece pela conversão
para aqueles que, antes de me roubarem a paz,
já furtaram de si próprios a dádiva do amor.


Que os ventos contrários da maldade alheia,
não ofusquem a beleza da caridade;
que os espinhos do julgamento
sejam professores para aqueles que ainda precisam
aprender a graça de se deixarem florescer de bondade.

Em Tuas mãos, depósito minha esperança
de ser para todos o que Tu és para mim:
uma fonte inesgotável de misericórdia
na qual, agora, adentro para alvejar com Teu amor
minha alma aflita e cansada.

Amém!


 


Padre Flávio Sobreiro

Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP e Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG), padre Flávio Sobreiro é pároco da Paróquia São José, em Toledo (MG), e padre da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). É autor de livros publicados pela Editora Canção Nova, além disso, desde 2011,  é colunista do Portal Canção Nova. Para saber mais sobre o sacerdote e acompanhar outras reflexões, acesse: @peflaviosobreirodacosta.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/oracao/oracao-para-alcancar-paz-interior/