2 de abril de 2025

E quando a minha oração não é ouvida?

O desafio da alegria e a confiança constante no Senhor

"Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: Alegrai-vos!" (Fil4,4). Essa é a ordem de São Paulo , um desafio para todo cristão! Uma convocação que, para ser vivida, além da graça de Deus, pressupõe maturidade espiritual. Desde sempre, o que mais o ser humano sempre quis em sua vida foi ser feliz. Esse anseio, como garantia do Catecismo da Igreja Católica, está impresso em nosso coração (cf. n. 1718).

Crédito: KatarzynaBialasiewicz/GettyImages

Entretanto, para nós, equivocadamente, ser feliz virou sinônimo de ter o que quer, alcançar vitórias e sempre ter novos desafios, e quando tudo isso está acontecendo de forma natural, nossa vida vai bem. Ficamos em paz com o mundo, com Deus, com os outros e conosco. Porém, se o que desejamos não acontece ou não se dá da maneira que queremos, desencadeia em nós uma crise existencial

Mas o que configura o cristão a Cristo é a possibilidade de fazer renúncias e sacrifícios com alegria, sabendo que isso nos faz crescer. Cristo despojou-se de sua condição de vida, renunciou às glórias deste mundo e cumpriu sua missão conforme o pai pedia. Portanto, quando não somos ouvidos num pedido, em vez de reclamarmos, nos entristecermos e desistirmos de tudo, existem outras possibilidades a serem consideradas:

    1. Não estamos prontos para receber aquilo: precisamos olhar para a realidade de que não é o momento ainda de o Senhor nos conceder o que desejamos, porque, antes disso, existem outras obras importantes que Ele precisa realizar em nós. Ex.: ajudar-nos em desapegos, crescimentos, aptidões. Muitas vezes, somente depois de uma primeira ação do Senhor, é que nossas bases estão prontas para receber aquilo que pedimos em nossas orações.
    2. Deus não quer nos dar o que pedimos: por mais que algo seja bom aos nossos olhos, é possível que o Senhor não nos queira dar aquilo que desejamos, pois, certamente, o que pedimos não irá nos exigir em nada, não vai nos ajudar na obra de santificação que Ele está oferecendo em nós.

Sendo assim, considerando a primeira possibilidade – a de que Deus não quer dar, neste momento, uma graça que pedimos – nossa atitude precisa ser:

    1. Alegrar-se, porque a negação atual implica que temos um Deus que nos ama e sabe a hora certa de nos dar algo. Ele cuida de nós!
    2. Louvar, pois esta é considerada a grandeza do Senhor e a nossa pequenez. Ele tem o conhecimento de todas as coisas e nossa sabedoria é limitada.
    3. Aprender a esperar, porque, uma vez que ele nos quer dar, mas ainda não estamos prontos, precisamos esperar com fé, ou seja, preparar-nos para receber. Corrigindo o que precisa ser corrigido em nós, numa atitude de conversão e superação.
    4. Desprender-se, aguardar com fé, entregar-se nas mãos do Senhor, deixando que Ele perceba as coisas em Seu tempo. Esse desprendimento pede ainda que você abra mão do que espera e viva aquilo que o Senhor está lhe pedindo hoje.

Considerando a segunda possibilidade, que é o fato de Deus não querer dar o que você pede, uma grande atitude, além de todos os passos acima é:

    1. Renunciar. Não é fácil, porque nosso ego pede que as coisas sejam como sempre sonhamos, porém, essa renúncia o deixará livre para receber todas as outras coisas que Deus quer lhe dar. Você também vai amadurecer na fé porque, com isso, você estará participando do sacrifício de Cristo.
    2. Perseverar na esperança, pois tudo concorre para o nosso bem. Essa grande renúncia de hoje é semente para as graças colhidas amanhã. Não se deixe vencer pela tristeza. O Senhor é bom o suficiente para realizar planos maravilhosos em nossa
      vida!

Aceite a vontade de Deus e alegre-se!

Elane Gomes
Missionária Aliança da Comunidade Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/oracao/e-quando-a-minha-oracao-nao-e-ouvida/

1 de abril de 2025

A oração de intercessão

Herança da oração, o poder da intercessão para transformar vidas

Como batizados, somos autorizados a exercer esse grande ministério de oração por uma pessoa ou uma situação, colocando-nos diante de presença de Deus com intimidade, fé, confiança e esperança, unindo-nos ao coração de Deus, que é rico em bondade e misericórdia, para pedir e suplicar sua ação, sua manifestação e sua glória em situações que, aos olhos humanos, são tão difíceis, tão complicadas ou, muitas vezes, impossíveis; e cremos que Deus pode responder aos nossos anseios como tem feito ao longo da história da salvação na vida do Seu povo.

Crédito: Moment Makers Group/GettyImages

No Antigo Testamento, encontramos grandes personagens que oravam a favor dos seus, confiando que a mão de Deus tinha o poder de atingir os corações, transformando vidas e mudando direções (Ex 32,32; Ex 17, 11-13). Quantas vezes Deus agiu graças ao pedido de um amigo ou de um servo fiel! Sim, de um amigo! Pois, para ser um intercessor, é necessária a intimidade de quem fala com um amigo. 

Para ser intercessor, é necessário a fé de quem confia que sua mão poderosa e sua glória podem ser manifestadas a qualquer momento e em qualquer situação. Para ser intercessor, é necessária a confiança de que Deus, justo juiz, realizará a Sua vontade de acordo com os Seus desígnios para um bem maior.

O poder da intercessão, a confiança na ação de Deus

Quantas vezes intercedemos em favor de alguém e esperamos ansiosamente a resposta do alto. Porque amamos, porque cremos, porque temos confiança. Interceder é muito mais do que nos unirmos à dor ou à súplica do outro; é acreditar que Deus, por ser Deus, tem a soberania, a autoridade e o poder para realizar todas as coisas segundo a Sua vontade, como nos diz São Paulo em Filipenses 2.13: "Porque Deus é quem opera em vós tanto o querer quanto o efetuar, segundo a Sua vontade". Deus é capaz de fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, segundo o Seu poder que atua em nós.


Quantos testemunhos temos de pessoas que oraram e acreditaram, e Deus agiu poderosamente! Às vezes, não é necessário dizer muito, pois, com pouco, já tocamos as fibras do coração de Jesus, como Marta, em Betânia, que envia uma mensagem a Jesus pelo seu irmão Lázaro e diz apenas: "Aquele que você ama está enfermo." (Jo 11,3)

Marta está dizendo: "Jesus, apenas te informei, agora está em suas mãos. Você conhece bem esse amigo, e eu sei que você o ama e pode realizar um milagre, então confio. Mesmo que, aos nossos olhos, não exista mais solução, confio que você pode trazer vida e vida em abundância".

Orar sem cessar, um caminho de fé e esperança

Outras vezes, é preciso suplicar — não uma, mas várias vezes. Persistir na oração. Rezar sempre, em todo lugar, suplicando e acreditando que, em algum momento, Deus irá agir — como fez a viúva de Lc 18,1-5, que insistiu até que o seu pedido fosse alcançado.

Outras vezes, é necessário nos colocarmos diante da presença de Deus e dizer como Jesus: "Não seja feita a minha vontade, mas a Tua", em uma entrega total e absoluta, mas com paz, como quem assina um documento em branco e diz: "Estou em tuas mãos, Senhor".

Para que sejamos perfeitos na unidade e para que o mundo conheça que Deus enviou Seu Filho amado para trazer a salvação a todo homem, para que não pereça, mas tenha a vida eterna.

Enquanto escrevia este artigo, fiquei pensando em quantas vezes pedi a intercessão de alguém ou quantas vezes escutei alguém dizer: "Rezei por você." E quantas vezes retribuí essa oração, sem interesse algum, sem que essa pessoa tivesse me pedido nada.

Lembremos, então, de orar, hoje, por todas as pessoas que, um dia, intercederam a Deus por nós, por nossas intenções ou por nossas necessidades, para que Deus retribua com graça e amor, e que a sua misericórdia as envolva. A oração de intercessão é tão necessária nos dias de hoje, pois é uma arma poderosa para continuarmos vivendo como peregrinos da esperança. 

Que Deus continue dirigindo nossa vida, trazendo conforto, solução, cura, respostas, mas, acima de tudo, conversão.

Angela Munhoz Chineze
Coordenadora da Comissão de Intercessão do CHARIS – Brasil


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/oracao/a-oracao-de-intercessao/

31 de março de 2025

Hora de reagir!

Campanha da Fraternidade 2025, um chamado à ecologia integral 

Compreender o mundo no horizonte da ecologia integral é passo importante para enfrentar a crise climática, neste momento em que todos são chamados a reagir. Uma reação que está atrasada, considerando os efeitos deletérios da crise. Graves entraves precisam ser vencidos para que ocorra a necessária resposta ao desafio enfrentado pela humanidade: um desinteresse sobre as mudanças climáticas, uma concepção equivocada sobre o planeta, a dificuldade de abrir mão dos lucros desmedidos alcançados a partir do sacrifício ambiental, a adoção de lógicas inadequadas, espúrias, para se alcançar o progresso.

Créditos: Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Especialmente perigosa é uma compreensão sobre a fé que desconsidera a relação entre o Criador, Deus, e suas criaturas, no conjunto da Criação. No lugar dessa
compreensão perigosa, deve prevalecer sempre o apelo à reação que vem da própria fé, um broto de esperança, que recebe o empenho da Igreja Católica no Brasil, por meio da Campanha da Fraternidade 2025 – Fraternidade e Ecologia Integral. Promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante o tempo da Quaresma, a Campanha da Fraternidade contribui, com lucidez e destemor profético, para adequadamente reagir às mudanças climáticas.

A fé é importante luz que ilumina o caminho da humanidade com uma incontestável verdade: homens e mulheres devem se compreender como instrumentos de Deus, Pai Criador. Precisam, pois, corresponder ao projeto de Deus para o planeta – uma terra de paz, beleza e plenitude. Essa compreensão é essencial para vencer a costumeira apatia diante da urgência de se reagir e superar a degradação ambiental.

A falácia da filantropia, como a destruição ambiental é maquiada

Essa fraqueza se consolida justamente pela insensibilidade para escutar os gritos da Terra e pela indiferença diante das dores dos abandonados do mundo. Percebe-se que ainda não existe uma cultura consolidada capaz de sustentar o enfrentamento à grave crise que ameaça a humanidade. Uma carência provocada pela falta de líderes capazes de contribuir com soluções inteligentes e humanísticas para superar os descompassos da atualidade. Grave é a fraqueza da reação promovida pela política internacional, submissa a interesses econômicos, sem considerar o bem comum.

Consequentemente, convive-se com manipulações e ajustes legislativos que impedem o nascimento de novos modos de se viver na casa comum. No horizonte da fé é inequívoca a convicção acerca do princípio que as intervenções e usufruto dos recursos naturais não podem estar submetidos a interesses de grupos econômicos que arrasam e exploram irracionalmente as fontes da vida.


Essa exploração irracional está evidente em muitos procedimentos a serviço de interesses minerários e de muitas outras atividades. Algumas concessões de caráter filantrópico, infinitamente desproporcionais em relação aos lucros exorbitantes desses empreendimentos que destroem o planeta, servem apenas para melhorar a imagem daqueles que promovem a devastação. O Papa Francisco, na Carta Encíclica Laudato Si', adverte que os poderes econômicos continuam a justificar o sistema mundial, onde predomina uma especulação e uma busca por receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e sobre o meio ambiente, entrelaçando degradação ambiental e degradação humana.

Sinal de esperança é saber que alguns países se dedicam à recuperação de rios poluídos, revitalização de florestas nativas, produção de energia limpa, melhoria de transportes públicos. Ainda que a humanidade esteja muito aquém de uma reação adequada, há sinais promissores: o ser humano é capaz de intervir positivamente na Criação de Deus.

A hora de reagir, o chamado à ação

Essa esperança alimenta reações a uma perspectiva ecológica superficial, descomprometida com acordos assinados. Esse "reagir" pede uma abertura ao diálogo,
para superar o extremismo de uma perspectiva que busca o progresso sem qualquer pudor ético, a qualquer custo. Por isso, a Igreja, com outras instituições e instâncias, governamentais e não-governamentais, investe na promoção de um debate honesto, contemplando cientistas, governantes e representantes da sociedade, com a partilha e a escuta de opiniões diferentes, para encontrar adequados discernimentos e escolhas. Há sempre uma saída para retirar a humanidade do caminho que está em contraposição ao desígnio divino.

Ora, a natureza é lugar onde Deus se manifesta. A fé cristã professa que o Espírito vivificante de Deus está em cada criatura. Esta verdade estimula o desenvolvimento de virtudes ecológicas com propriedades para alavancar reações positivas e incidentes na realidade. As criaturas desse mundo não constituem um bem a ser apropriado por um dono. O ser humano tem seu valor singular, mas não lhe é permitido tratar as demais criaturas de qualquer jeito. É preciso buscar equilíbrio, enfrentando cenários nos quais alguns vivem em situação degradante e outros na abundância – sem mesmo saber o que fazer com o muito que possuem.

Esse equilíbrio almejado somente se efetiva com o cultivo da ternura e da compaixão, em relação ao semelhante e ao planeta. Urgente é proteger o meio ambiente, cultivando amor sincero em relação ao semelhante, dedicando-se a enfrentar os problemas sociais. Não se perca a oportunidade para uma reação. Ninguém deve se situar no ridículo de acordar e comprometer-se com promissoras soluções, mas não cumprir o que foi combinado. A gravidade da crise contemporânea convoca: está na hora de reagir!

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/hora-de-reagir/

29 de março de 2025

Na casa da parábola

A alegria do reencontro, redescobrindo a misericórdia na parábola do filho pródigo

As parábolas contadas por Jesus partem de situações cotidianas vividas pelas pessoas, assim como de uma observação apurada da natureza, onde aparecem animais e plantas. As chamadas parábolas da misericórdia, do capítulo quinze do Evangelho de São Lucas, referem-se a uma ovelha perdida, uma moeda perdida e um filho perdido! (Lc 15,1-32). Mais ainda, falam da alegria do reencontro! O quarto domingo de Quaresma nos faz participar da história do Pai Misericordioso e do filho pródigo, gastador e perdido! Permitamo-nos entrar na casa da família descrita por Jesus na parábola.

Crédito: Jacob Wackerhausen/GettyImages

O dia a dia da família, que é o pano de fundo da parábola, parece muito normal, ainda que a figura da mãe não venha à tona. Podemos imaginar uma família de recursos, com um pai curioso, rebanhos e plantações eram cuidadas pela família e trabalhavam, condições para garantir uma boa herança aos dois filhos. Pode ser comparado com muitas das nossas famílias, mesmo quando não nos parece ter disponibilidade para heranças semelhantes.

Pais e mães que trabalham e buscam dar o melhor possível aos filhos, mãos e corações que se empenham na labuta diária, uma história edificada com muito esforço, alternando convivência, atividades laborais, compromissos sociais e religiosos. É bom considerar a normalidade de nossas famílias, mesmo estando prontas para enfrentar os possíveis desafios.

Volta ao lar, a ação da misericórdia divina

E a família que olhamos com uma visão bem humana, sabendo que nos remete à grande família de Deus Pai Misericordioso, encontra-se agora diante do desafio imprevisto. Um jovem rebelde, disposto a aventuras, desejoso de ir ao encontro do desconhecido. Quem de nós, em alguma etapa da vida, não sonhou com a independência, preferindo correr pelo mundo no lugar do aconchego da casa paterna? E quantos são os jovens que, sem grandes conflitos com seus familiares, querem morar separados dos pais, percorrer suas próprias carreiras estudantis ou de início de profissão! Sem julgá-los, entremos em seu coração e identifiquemos seus sonhos e projetos! Entretanto, o filho mais novo daquela família abandonou tudo o que o pai pôs à sua disposição.


Deixou a casa para tornar às ruas e o mundo, a sua própria casa. O amor parecia limitado sua liberdade! Incrivelmente, o vício e a libertinagem atraem e se apresentam como um bem! Muitas vezes, cantamos esta aventura: "Eu pensei que poderia viver por mim mesmo, eu pensei que as coisas do mundo não iriam me derrubar. O orgulho tomou conta do meu ser e o pecado devastou o meu viver. Fui embora, disse: ó Pai, dá-me o que é meu, dá-me a parte que me cabe da herança. Fui pro mundo, gastei tudo, me restou só o pecado" (Música "Tudo é do Pai", composta por Frederico Cruz).

Incapacidade pera ver com os outros as decisões a serem tomadas, obrigações, sonhos de grandeza, perda dos valores morais, tudo no mesmo pacote de passos enganosos, dados porque a própria família e os afetos paternos estão vinculados, e estes podem soar insuportáveis. Quem já passou por isso entende bem e sabe que a narrativa se repete e deixa de ser apenas uma historinha! É que Jesus entende de humanidade mais do que todos nós juntos! No fundo do poço, nasce um sentimento confuso de saudade e de estômago vazio.

A lição do filho pródigo, o valor da casa do pai

O lugar de trabalho descrito na parábola era o mais odioso num ambiente judaico, cuidar de porcos! Jesus carrega as tintas, para mostrar os sentimentos humanos existentes em quem tocou no ponto mais baixo que pode existir. Mais do que a sede e a fome, a dor maior é a do pecado e suas consequências! O jovem sonhou com as curvas das estradas para a casa paterna, enquanto o próprio pai misericordioso deve ter incansavelmente olhado para as mesmas curvas.

Chegou a hora do arrependimento, confirmando erros cometidos que causaram a quebra na cabeça! E nele nos encontramos nas centenas de vezes em que aprendemos de novo o valor da casa paterna, daquele Pai que não volta atrás em seu infinito amor.

Para voltar à casa do pai, o jovem aventureiro teve que ensaiar mil vezes o discurso! "Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados'" (Lc 15,17-19). A chegada é compartilhada de emoção, e se pensa que o verdadeiro pai é o Pai Deus misericordioso, encanta saber que Deus se emociona com nossa volta e o perdão, no abraço e nos beijos da reconciliação! Festa, roupa nova, anel, sandália aos pés, porque o filho perdido foi encontrado, quem estava morto começou a viver! Não é necessário dizer muitas coisas, apenas viver!

Implicante é a situação do filho mais velho, cujo erro é justificado na hora que deveria ser da misericórdia. Mais grave é o julgamento de que todos os caminhos errados e escandalosos do outro! A casa, a criação, as plantações, tudo é do Pai e de seus filhos. Na casa, podemos desfrutar de todos os bens! Cabe a nós, muitas vezes filhos mais velhos, deixem de ficar emburrados e entrem na dança da festa da misericórdia. E a Igreja é esta casa, aberta de modo especial nesta Quaresma, para o abraço da reconciliação, no Sacramento da Penitência, para nos ajustarmos com o Senhor, e também no dia a dia, perdoando-nos mutuamente. A festa é nossa e podemos cantar e rezar: "Tudo é do Pai, toda honra e toda glória, é dele a vitória alcançada em minha vida. Tudo é do Pai, se sou fraco e pecador, bem mais forte é o meu Senhor, que me cura por amor. Hoje sei que nada é meu, tudo é do Pai, toda honra e toda glória, é dele a vitória alcançada em minha vida!" (Ibid.).

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/paternidade/na-casa-da-parabola/

28 de março de 2025

Felicidade é ter sentido na vida

A busca pelo sentido da existência

O homem sempre está perguntando a si qual o sentido de sua existência diante dos desafios da vida. Contudo, ainda há uma grande gama de pessoas nas quais esse sentido é tido como uma verdadeira incógnita, que, por não ser correspondida, pelo menos naquele momento, traz o vazio, a insatisfação e a infelicidade. 

A vida espera algo de nós

Viktor Frankl, neurologista, psiquiatra e filósofo, cita, em seu livro "Em busca de sentido", que "precisamos aprender que nunca e jamais importa o que nós ainda temos a esperar da vida, mas sim exclusivamente o que a vida espera de nós". Nesse sentido, é necessário que cada indivíduo, em sua dignidade, liberdade e responsabilidade, tome posse de que, sendo único e irrepetível, tem uma missão pessoal. 

O humor como mecanismo de defesa

Em situações extremas da nossa vida, e muitas vezes inevitáveis, surge uma estratégia maravilhosa, o humor como um mecanismo de defesa, permitindo-nos manter a sanidade diante da iminência do sofrimento. O humor, segundo Viktor Frankl, fundador da logoterapia, é uma capacidade exclusivamente humana que nos habilita a afastar-nos de uma situação e até mesmo de nós mesmos. Essa capacidade de escolher uma atitude positiva frente aos nossos enfrentamentos, pois somos livres e responsáveis por nossas escolhas. 

Silveira & Mahfoud (2008) argumentam que o humor permite ao indivíduo distanciar-se de seus problemas, tornando-se "senhor de si". Podemos entender então que a pessoa não é o seu sofrimento, nem as barreiras que lhe impõem, ele é habilitado a pensar e, portanto, abençoado com a graça do livre-arbítrio. 

Descobrindo o significado da vida

Ademais, viver nos desafia a descobrir o significado por si, imergindo na própria experiência e confrontando as próprias verdades. É um propósito, uma missão que, ao ser bem vivida, gera frutos de felicidade acima das nossas adversidades. Essa é a essência da resiliência humana, a capacidade de transcender o sofrimento ao encontrar um propósito que justifica a luta. 

O propósito que justifica a luta

Viktor Frankl, em suas experiências nos campos de concentração, frequentemente citava Nietzsche para ilustrar esse ponto: "Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como". 

Crédito: ipopba / GettyImages

Viver com sentido: um sim à vida

O homem não quer ser somente feliz, mas quer uma razão para ser feliz. Essa razão nos sinaliza que prazeres momentâneos trazem problemas futuros. Se eu não encontro sentido, aquilo me causa sofrimento. Não é algo banal, mas essa necessidade existe desde que o homem foi criado por Deus.

Portanto, aqueles entre nós, filhos de Deus, que se tornam dignos de seus sofrimentos, têm a linda oportunidade de crescimento interior, configurando a sua vida de maneira única. 

A responsabilidade diante da vida

Viver com significado ativa em nós o gozo de cada experiência, revelando a abundância de possibilidades. Afinal de contas, existem duas alternativas: a de viver com sentido ou se rendendo à autopreservação egoísta. 

A felicidade do propósito

A vida nos exige que assumamos a responsabilidade de responder adequadamente às perguntas que ela nos apresenta, de cumprir as tarefas que ela nos impõe. Ligar-se nas situações internas, indo em direção aos outros e ao mundo. Nós não queremos respostas fáceis, mas respostas verdadeiras, que apontem para a beleza da vida, para a bondade e para a alegria. Aquilo que é bom, belo e verdadeiro. 

Temos um grande potencial para dizer sim à vida sempre, ter uma postura ativa e comprometida. Felicidade é isso: ter um porquê viver. 

 

Micheline Teixeira – Missionária da Comunidade Canção Nova, Graduada em Administração com complemento dos estudos em Marketing. Atualmente, cursa pós-graduação em Logoterapia. É diretora, produtora e jornalista no Portal Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/felicidade-e-ter-sentido-na-vida/

Ore sempre, porque o Senhor é a sua esperança

A esperança tem um nome: Jesus Cristo!

(1Ts 5,16-18; Sl 71,5)

Família, nossa fé em Cristo Jesus nos impulsiona a ter esperança, a viver de esperança e a propagá-la com entusiasmo, pois a nossa esperança é Ele. Sem dúvida alguma, nosso mundo precisa de esperança, pois nós vivemos dela. Basta pensarmos em nosso dia a dia: vivemos na esperança de uma oportunidade melhor, um dia melhor, desejamos encontrar pessoas de bem.

Crédito: Anawat_s/GettyImages

Nesse sentido, em nossa Igreja, vivemos o ano jubilar da Esperança. O Papa Francisco deseja que toda a humanidade faça essa experiência. Sim, trata-se da Esperança, de algo muito maior; na verdade, a esperança em uma Pessoa, Jesus Cristo. Para nós cristãos ela não é apenas uma palavra, mas tem um nome, Esperança, e ela é sim uma pessoa, a Esperança é Cristo Jesus. 

Em Cristo Jesus recomendamos nos apoiar, n'Ele devemos nos ancorar, pois Jesus é a nossa salvação, libertação, cura e nosso modelo servir a amar o próximo.

Na oração a Deus, um chamado à busca contínua

Estamos no "ano da graça do Senhor", irmãos. Tenhamos confiança n'Ele. Busquemos com mais intensidade, mais fervor, mais fé, Aquele que é o Princípio e o Fim de nossa vida, de maneira especial através da oração.

Se "os tempos são maus", não desanimemos; se os tempos são difíceis, dirijamo-nos a Ele com total confiança. Jesus ensinou a Seus discípulos e à multidão sobre a necessidade de orar, orar sempre, orar sem cessar, orar sem perder a esperança.

Tudo parte da oração, tudo deve nos levar à oração, "sem oração não podemos nos salvar " (Santo Afonso de Ligório), sem oração não podemos alcançar as graças de Deus, sem oração não podemos agradar a Deus, sem uma oração insistente desfaleceremos no caminho. 

Orar sempre, é o que fizeram os grandes homens e mulheres de Deus? Sim, oravam sempre!

São Paulo, em sua primeira carta aos Tessalonicenses 5,16-18, indicou três passos para aquela comunidade: viver contentes, orar sempre e dar graças em todas as situações, pois essa era a vontade de Deus. A comunidade de Tessalônica foi exortada pelo apóstolo São Paulo a viver na esperança da vinda definitiva do Senhor: " Pois vocês mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite." (1Ts 5,2).

Corações contentes na Esperança

Como viver a expectativa da vinda do Senhor? Viver contente. O cristão, porque confia em Deus, porque vive n'Ele, é alegre, pois sabe em quem colocou sua confiança (2Tm 1,12). Viver contente em meio aos acontecimentos do nosso tempo – violência, fome, divisões… – não é uma falta de respeito ou de discernimento? Não! "Viver contente" significa ainda levar a esperança, não simplesmente um otimismo, mas levar a certeza de que Deus está conosco, e com Ele nós vamos, com Ele nós conseguimos. Com um sorriso nos lábios e com fé no coração, não há o que temer.


São Paulo, depois, fala de orar sempre, que a oração é o "motor" de nossa espiritualidade e que, com oração e na oração, movimentamos nossa fé em Deus. Na oração, falamos com Deus; na oração, pedimos, agradecemos ao Senhor e O louvamos. Orar sempre não significa somente balbuciar palavras a Deus o dia todo; orar sempre significa ter o coração sempre em sintonia com Deus, como acordar e pensar em Deus, falar com Ele, tomar um café e agradecer pelo "pão nosso de cada dia", realizar os trabalhos com honestidade e se santificar com aquele ofício, tendo consciência de que cada ação é para glória de Deus.

Fazer a vontade de Deus, um abandono confiante no Criador

Viver contente, orar sempre e estar na vontade de Deus, pois estamos no ano jubilar da esperança. E o que o Senhor deseja de nós mais uma vez? Que façamos a Sua vontade. Ora, se buscamos estar alegres, se buscamos a comunhão com o Senhor na oração, então o último passo é a busca pela vontade de Deus. Pensemos: o que Deus nos pede hoje? 

Proponho que façamos a vontade d'Ele num total abandono, numa confiança sem reservas a Ele. Vamos dizer "Tu és a minha esperança" (Sl 71,5), vamos dizer aos nossos desafios que Deus é a nossa esperança. Vamos dizer às pessoas que encontramos que "Deus é a nossa esperança ". Por causa d'Ele nós amamos, perdoamos, ganhamos. Por causa d'Ele amamos o próximo, e assim faremos um mundo melhor.

Enfim, aproveitemos essa Quaresma, aproveitemos a 12ª edição das 24h para o Senhor para rezarmos, para nos penitenciarmos e para nos comprometermos com a Esperança, Jesus Cristo, e levá-Lo em nosso rosto e em nossas atitudes.


Padre Márcio Prado
Missionário Núcleo da Comunidade Canção Nova  


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/oracao/ore-sempre-porque-o-senhor-e-a-sua-esperanca/